Tribuna do Leitor

Professor e ensino público


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O jornal Folha de São Paulo, do dia (17/7), publicou artigo sob o título "Quanto vale o professor?", de autoria do jornalista Antonio Gois, e no dia (18/7), o editorial intitulado "Au-las melhores". Os assuntos abordados comportam comentários. O jornalista inicia afirmando que greves de professores, como as que ocorrem no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, os sindicatos, não tendo força para mobilizar a categoria, parte dos professores entra em greve, outra trabalha, os alunos sabem que a reposição de aulas não acontece.

Sem entrar no mérito da greve, o jornalista afirma que a reivindicação salarial é justa. Pois, em geral, diz-se, no Brasil, um professor que possui formação universitária que leciona no ensino fundamental recebe salário que corresponde apenas à metade dos salários médios de todos os trabalhadores com formação superior.

Lembra também o jornalista Antonio Gois que vários estudos mostram que salário não tem relação imediata com desempenho do aluno, por outro lado, evidências demostram que a boni-ficação por mérito tampouco tem efeito.
Conclui o artigo que estudos têm captado apenas efeitos imediatos. O fundamental é política de Estado, como o Plano Nacional de Educação, em discussão no Congresso Nacional.

O editorial da Folha critica a reação de parcela do professorado, contrária à iniciativa do governador Geraldo Alckmin, em dividir as férias do magistério em dois períodos, no meio e no co-meço do ano, que entende parecer correta. Minha opinião é no sentido de se acabar com o experi-mentalismo no ensino. O PSDB está governando o Estado de São Paulo há mais de 16 anos. Os governadores que se sucedem ignoram o programa de seus antecessores, lançam programas próprios, personalistas, sem continuidade no processo pedagógico.

Ressalte-se, a Constituição Estadual de São Paulo, no artigo 214, determina o estabelecimento em lei do Plano Estadual de Educação, consideradosos diagnósticos e necessidades apontados nos Planos Municipais de Educação. Até hoje essa exigência constitucinal tem sido ignorada. Isto lembrando que a Constituição Federal, neste ano, está completando 23 anos de sua promulgação, em 5 de outubro de 1988.

Os Constituintes que elaboraram e promulgaram a C.F., preocupados com a situação dos professores, fizeram constar de modo explícito o artigo 206, inciso V, dispondo sobre: "Valorização dos profissionais do ensino...". Outro dispositivo constitucional ignorado. Sem Plano Nacional de Educação, Plano Estadual de Educação e Plano Municipal de Educação, com metas definidas, investimentos necessários, só ficaremos em blá, blá, blá.

Rodolpho Pereira Lima - 80 anos - professor aposentado

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