Recentemente, fui alvo de algumas piadinhas em relação às novas maneiras que o Governo Fe-deral discute para combater a crise nos aeroportos. Um dos projetos prevê a construção e operação de novos terminais pela iniciativa privada e a abertura do capital da Infraero, a estatal que administra 67 (sessenta e sete) aeroportos federais.
Um conhecido tucano, em tom irônico, chegou a me dizer: "Estou começando a gostar do governo Dilma". Por questões de princípios, não aceito e tampouco pouco defendo iniciativas des-sa natureza - privatizações/terceirizações - mesmo que partam do governo do qual pertence meu partido. Não é segredo que os aeroportos brasileiros trabalham acima de seus limites, mas aos que me provocaram, devo explicar-lhes; os aeroportos foram construídos no passado para atender exclusivamente a uma minoria (elite) que jamais imaginaria ter ao seu lado, num assento de voo, uma pessoa de chinelos de dedo.
E o crescimento do setor se justifica. A ascensão das classes C e D, promovida, principalmente, nos últimos cinco anos do governo Lula, levaram a essa situação. A expansão do poder aquisitivo da população aumentou o número de consumidores. Somente a classe C, que representa hoje cerca de 53% dos brasileiros, elevou o números de pessoas que passou a viajar cada vez mais, sobretudo de avião. Segundo dados da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), os vôos nacionais cresceram 20% no ano passado, algo em torno de 66 milhões de passageiros, número muito próximo de pes soas transportadas por ônibus, que foi de aproximadamente 67 milhões, no mesmo período. Portanto, o setor de transporte está praticamente dividido ao meio.
Isso significa que o imigrante nordestino não precisa mais "visitá mainha" de ônibus - 3 dias e 3 noites de viagem. A burguesia se vê agora incomodada com esta presença e anuncia a crise para culpar o atual governo, mas não se hesitou em defender o fim de um importante sistema de transporte - o ferroviário - por meio da maldita privatização. Não esperava que o sonho de Ícaro alcançasse classes sociais até então desfavorecidas.
Reconheço que existe um problema a ser enfrentado pelo setor, mas o título do texto poderia ser outro: expansão da renda no País favorece o transporte aéreo.
Fabrício Genaro - DM Partido dos Trabalhadores