Rural

Preço alto do milho leva os produtores rurais a modificar a ração para suínos


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A alta no preço do milho, que chegou a até 10% na safra atual devido à baixa produtividade, tem forçado criadores de suínos e de bovinos a substituir parcialmente o cereal na ração animal.

Na granja do suinocultor Carlos Augusto Daher, 28, de Colina (406 km de São Paulo), a substituição do milho está sendo feita, na medida do possível, pelo sorgo, que também está em falta. "A substituição total está sendo feita na terminação, que é quando os suínos vão para o abate. O restante está comendo o milho armazenado que compramos quando estava mais barato", afirma.

Já no confinamento do pecuarista Marcelo de Carvalho Dias, 49, de Barretos (423 km de São Paulo), o milho foi substituído por bagaço de laranja, caroço de algodão e fécula de amendoim.

"Usávamos até seis quilos de milho por dia na alimentação dos animais, mas agora estamos usando só 2,5 quilos de milho e completando com outros alimentos", diz.

Segundo o IEA (Instituto de Economia Agrícola), a suinocultura deve usar só 2% de todo o milho produzido no Estado de São Paulo, ante os 5% normalmente usados. No caso dos bovinos, o índice deve passar de 10% para 5%.

Para piorar, o preço do cereal deve continuar alto, pois a produtividade média da segunda safra de milho deve cair 8,5% no Estado.
Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a saca de 60 quilos do milho alcançou R$ 30,31 na semana passada.

"Para nós, o milho tem de ser vendido a R$ 18 a saca. Agora, não encontramos por menos de R$ 28 direto do produtor", afirma o pecuarista.

Na semana passada, em resposta à alta do milho, o CMN (Conselho Monetário Nacional) autorizou os suinocultores a renegociar dívidas com o governo federal e criou uma linha especial de crédito para o setor. (Venceslau Borlina Filho)

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