Tribuna do Leitor

Por favor, me perdoem?


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Peço perdão a todas as pessoas que alguma vez nos últimos 30 ou 50 anos passaram pela quadra 27 da Rua Joaquim da Silva Martha . Me perdoem, vizinhos, pois eu devo ter derrubado muitas folhas e devo ter dado um trabalho imenso para vocês com todo esse meu lixo. Me perdoem motoristas, por eu derrubar as minhas folhas em seus carros, quando estacionados sob a minha sombra.

Perdão aos cadeirantes, pois a minha raiz deve ter-lhes causado muitos acidentes nessa vida. Me perdoe Secretaria do Meio Ambiente, eu com certeza lhe fiz um algum mal ou cometi alguma irregularidade, para você autorizar a minha poda, voltando atrás do indeferimento publicado no D.O. do Município de 05/07/2011.

Perdão, munícipes que esperavam ao meu lado o ônibus passar, acho que a minha sombra de Sibipuruna não era tão eficiente assim. Perdão a todos. Certamente agora que já não existo mais um alívio imenso deve estar reinando no coração de todos. Já não serão incomodados pela minha sombra, pelas minhas folhas, pela minha raiz. Me perdoe Polícia Florestal, pois eu te incomodei pedindo socorro, e sou tão insignificante diante de todos os crimes am-bientais que você precisa fiscalizar...

Perdão, sra. Helena Regina Jacome dos Santos, eu devo ter lhe causado muitos transtornos, devo ter derrubado minhas folhas no seu terreno vazio, para a senhora solicitar a minha poda, mesmo eu não estando ao centro do seu terreno, como foi publicado no D.O. de 12/07/2011, e parabéns, você venceu. Nesse lindo domingo ensolarado, agora que já não existo mais e todos estão felizes sem a minha presença. Peço perdão a Deus, pois com toda a imensa estrutura que Ele me deu, e apesar Dele sempre ter me sustentado com tanta luz e água, não consegui defender os ninhos de pássaros que se abrigavam em minha imensa copa....

Eu não fui forte o suficiente para resistir a um pedaço de papel e uma motosserra.


Diogo Lamônica, relatando o último suspiro de uma árvore

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