Internacional

Atirador da Noruega cita o Brasil

Folhapress
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Oslo - O suspeito dos dois ataques em Oslo, Anders Behring Breivik, 32 anos, citou o Brasil em seu documento intitulado "A European Delaration of Independence - 2083" (Uma declaração de Independência Europeia - 2083) publicado na Internet. Segundo ele, por causa da "revolução marxista brasileira", o Brasil teria se tornado uma mistura de raças o que se mostrou uma "catástrofe" para o país que é "de segundo mundo" com um baixo nível de coesão social.

Os resultados seriam os altos níveis de corrupção, baixa produtividade e conflitos entre as diferentes culturas.

Breivik ainda classificou o Brasil como um país "disfuncional". Ele ainda discorre sobre o acidente com o Césio-137 em Goiânia, sobre o golpe militar de 1964, que contou com a intervenção americana e sobre a proclamação da República em 1889.

O documento assinado por Breivik - com 1.518 páginas - inclui ainda um manual sobre como montar bombas e um discurso contra o Islã e o marxismo, várias referências históricas, detalhes da personalidade de Breivik e um diário dos três meses que precederam o ataque.

O manifesto redigido pelo extremista contém trechos copiados do manifesto do americano Ted Kaczynski, o Unabomber. Os ataques de Kaczynski mataram três pessoas e feriram 23 entre as décadas de 1970 e 1990. Ele enviava bombas caseiras por meio do correio para suas vítimas.

O apelido Unabomber se refere a uma sigla criada pelo FBI (polícia federal dos EUA) durante a investigação. Ele diz respeito aos seus alvos preferidos: universidades e companhias aéreas.

Kaczynski foi denunciado por parentes e preso em 1996, depois de 17 anos de ataques. Atualmente, ele cumpre pena de prisão perpétua.

O Unabomber escreveu um manifesto antitecnológico contra a "sociedade industrial", no qual faz críticas ao "esquerdismo moderno". Para dar visibilidade ao texto, exigiu que ele fosse publicado por grandes jornais para interromper os ataques.

Aliados ativos


A poucos metros de uma multidão que tomou ontem as ruas de Oslo para homenagear as vítimas do duplo atentado da semana passada, Breivik dizia à Justiça que ainda tem aliados ativos. Ele afirmou a um juiz que as duas "células" aliadas integram sua organização, montada para "salvar a Europa do islã".

A polícia disse não ter informações sobre os supostos membros do grupo, mas uma investigação internacional foi desencadeada. Breivik também se declarou inocente e disse não se sentir culpado pelas mortes.

Ontem, autoridades norueguesas disseram que o serviço de inteligência investigou Breivik em março. O extremista havia comprado produtos químicos usados na confecção de bombas de uma empresa polonesa que já era monitorada.

A investigação não teve continuidade, pois a transação foi legal. A notícia alimentou as especulações sobre uma suposta falta de organização dos serviços de segurança do país.

Breivik continuará preso. Pela lei do país, sua condenação máxima é de 21 anos, mas, segundo o jurista Stalen Eskelamd, da Universidade de Oslo, uma cláusula permite que na prática ele fique em prisão perpétua. "Ele pode ir para uma espécie de custódia que, ao final dos 21 anos, permite prolongar a pena até que ela vire prisão perpétua", disse.


Menos vítimas


A polícia da Noruega reduziu ontem para 76 o número de vítimas do tiroteio na ilha de Utoeya e da explosão de um carro-bomba na sexta-feira. O saldo anterior indicava ao menos 93 mortos.

Em pronunciamento público, a polícia disse que o número de mortes no violento ataque na ilha de Utoyea foi reduzido de 86 para 68. Um porta-voz do órgão informou que um dos possíveis motivos da confusão quanto aos números é de que alguns corpos devem ter sido contados mais de uma vez.

A polícia elevou, contudo, de sete para oito o número de vítimas da explosão de um carro-bomba no centro de Oslo, perto da sede do governo.

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Pai comovido


Oslo - Jens Breivik, o pai do suspeito pelo massacre de 76 pessoas na Noruega, afirmou ontem que Anders Behring Breivik deveria ter cometido suicídio em vez de realizar a matança de sexta-feira.

"A última coisa que ele deveria ter feito, em vez de matar tantas pessoas, era se matar. (...) Nenhum pessoa normal faria algo assim", disse Jens ao canal de televisão norueguês TV2.

Jens está sob proteção policial em sua casa no sul da França, onde vive com sua segunda mulher.

Ele declarou-se comovido com a situação e afirmou que não vê o filho há mais de 15 anos. "Estava lendo as notícias na Internet e, de repente, vi seu nome e sua foto. Ainda não consegui me recuperar da comoção", declarou o aposentado, que vive numa cidade francesa, preferindo não ter o nome revelado. "Estou comovido, é terrível ouvir algo assim", acrescentou, afirmando ignorar as atividades às quais se dedicava o filho.

Jens se divorciou da mãe de Anders quando ele nasceu. Ele disse ter perdido o contato em 1995, quando seu filho tinha 15 ou 16 anos. "Quando era mais novo, era um menino normal, mas retraído, e não se interessava por política", disse o pai.

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