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Número de nascimentos cai 19,5%

Por Tisa Moraes | Com Redação
| Tempo de leitura: 6 min

A revolução no comportamento da sociedade revelada pelo Censo 2010 mais uma vez é confirmada. Com o aumento da renda e o maior acesso a métodos contraceptivos, os casais de Bauru e região estão tendo cada vez menos filhos. Em 11 anos, o número de nascimentos caiu 19,5%.

É o que aponta o mais recente balanço da Secretaria de Estado da Saúde, produzido com base nos dados da Fundação Seade. Enquanto, em 1998 foram registrados 26.150 nascimentos na cidade e nos demais 37 municípios abrangidos pelo Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6), 21.076 crianças vieram ao mundo em 2009. Proporcionalmente significa dizer que, a cada cinco bebês nascidos no final do século passado, apenas quatro nascem hoje.

As estatísticas da secretaria convergem com os dados do Censo 2010, levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado em abril deste ano. Segundo o estudo, em 10 anos a quantidade de crianças entre 0 e 4 anos caiu 17%, de 25 mil para 20,7 mil.

A drástica redução, que representou a inversão da pirâmide etária, é a mais acentuada da história, de acordo com o instituto. E a tendência foi confirmada sucessivamente ao longo da última década, já que o balanço da secretaria mostra que, em todos os anos, houve queda do número de partos. Segundo o ginecologista e obstetra Sérgio Henrique Antônio, os resultados refletem uma mudança no entendimento dos novos casais sobre a responsabilidade e os custos envolvidos na criação de um filho.

"Não ocorre mais como antigamente, quando as mulheres tinham quatro, cinco filhos. Hoje, percebemos o crescimento do desejo dos casais de ter apenas um filho, embora a média ainda se mantenha em dois filhos", revela ele, que é diretor técnico de planejamento familiar da Maternidade Santa Isabel.

Antônio comenta que, mesmo com o aumento da renda e com a estabilidade na economia verificada na última década, famílias numerosas fazem parte de uma realidade cada vez mais distante, até por conta da violência urbana e também porque os casais tem optado por investir mais em si mesmos.

"São cada vez mais comuns casais jovens que decidem aproveitar mais a vida ou investir no seu crescimento profissional antes de ter um filho. O resultado é que as mulheres estão engravidando cada vez menos e mais tarde."

Sem herdeiros


Com isso, casais como a vendedora Cristina Martins Miranda e o comerciante e professor Eric Piassi são cada vez mais comuns. Aos 29 anos, estão casados há 4 e não pretendem ter um herdeiro tão cedo. Ela quer investir nos estudos para atuar como psicóloga organizacional. Ele, embora dê aulas para crianças, também quer aproveitar o momento para expandir os negócios na livraria da qual é proprietário.

"Sem filhos, a gente pode investir nosso tempo em aperfeiçoamento profissional e também em lazer. A gente viaja, vai a casa de amigos sem ter preocupação nenhuma. Comparo minha vida com a de quem têm filhos e isso reforça a minha escolha", observa Cristina.

Ela e Eric já ultrapassaram a média de idade atual dos casais bauruenses que têm o primeiro filho. De acordo com Antônio, os primogênitos costumam nascer quando os pais possuem entre 24 e 25 anos. "E, cada vez mais, a gravidez vem sendo programada. É uma realidade cresce a cada ano, principalmente entre as mulheres de melhor poder aquisitivo", pontua.

Também como resultado dos programas de prevenção à gravidez indesejada, a redução no número de partos somente entre adolescentes menores de 20 anos foi ainda maior, de 37,7%. Em 1998 foram 6.607 nascimentos, ante os 4.112 registrados em 2009. Na faixa entre 15 e 19 anos, a diminuição foi ainda mais acentuada, de 38,2%.

Segundo o obstetra, o maior acesso aos métodos contraceptivos distribuídos pelas unidades básicas de saúde, assim como às informações sobre como prevenir a gravidez precoce. "É claro que a gente desejaria que os números fossem menores, mas não estamos tão longe do ideal", avalia.

Segundo ele, os programas de planejamento familiar criam um círculo vicioso, já que filhas de mulheres que engravidam mais tardiamente tendem a retardar o início da vida sexual e, por consequência, também uma eventual gestação. "Neste sentido, a estrutura familiar conta bastante para evitar a gravidez na adolescência", comenta.

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Atendimento multidisciplinar


A diminuição da incidência de mulheres adolescentes grávidas acompanha uma tendência verificada em todo o estado. De acordo com o balanço da Secretaria de Estado da Saúde, o número casos caiu 37% em 11 anos. Albertina Duarte, coordenadora do Programa Saúde do Adolescente da pasta, afirma a queda é resultado de um modelo de atendimento integrado da adotado pela secretaria, que contempla os aspectos físico, psicológico e social das adolescentes. "A capacitação de aproximadamente 10 mil profissionais de saúde foi fundamental para alcançarmos esses números. Além disso, há distribuição de preservativos e contraceptivos em unidades de todo o Estado", frisa.

De acordo com a pasta, o método multidisciplinar de atendimento vem contribuindo não apenas para a diminuição dos índices de gravidez na adolescência, mas também para a prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis.

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Casa com até 2 moradores é cada vez mais comum


O crescimento da renda e a nova configuração dos núcleos familiares estão deixando as casas cada vez menos povoadas em Bauru. De acordo com dados do Censo 2010, as residências com até dois moradores estão aumentando e já representam uma importante parcela dos domicílios da cidade. Atualmente, 42.584 imóveis são ocupados por não mais do que duas pessoas, média que representa 38,7% do montante total. Há 10 anos, quando o Censo foi realizado pela última vez, os bauruenses viviam sozinhos ou dividiam 26.800 domicílios com apenas mais uma pessoa, numa proporção de 29,5% do total de casas.

Na última década, o volume de residências com três moradores chegou a registrar pequeno aumento, mas as de quatro ou mais habitantes, sem exceção, apresentaram queda. Para se ter uma ideia, as famílias de quatro membros vivendo juntos - que antes eram maioria -, hoje são apenas a terceira configuração doméstica mais comum na cidade. Como reflexo deste ?enxugamento?, a quantidade de apartamentos ocupados dobrou no período em Bauru.

Em entrevista recente concedida ao JC, a coordenadora da subárea do Censo em Bauru, Matilde Tabanez dos Santos Pereira, explicou que a redução do número de habitantes por domicílio e a perda de espaço das residências para imóveis menores está atrelada ao aumento da renda da população e da estabilidade no emprego. Como consequência deste poder aquisitivo, os jovens se sentiram mais confiantes em deixar a casa dos pais para viver sozinhos ou para dar início à vida de casados, sem filhos.

Segundo o economista Reinaldo Cafeo, se adiciona a este argumento a nova dinâmica dos núcleos familiares, já que os divórcios se tornaram mais comuns, porque são mais aceitos pela sociedade. Desta forma, já não é mais raro encontrar mães ou pais que vivam sozinhos com seus filhos únicos. "Nós não temos mais aqueles matrimônios para a vida toda. Antigamente, existia certa pressão social para que não houvesse separações, sem contar que a quantidade de filhos era infinitamente maior", frisa.

Com poder de consumo e já acostumados a viver de maneira independente, estes casais geralmente não voltam para a casa dos pais quando se separam e preferem construir um novo lar, obviamente com menor número de moradores. Para Cafeo, entretanto, é possível que, nos próximos anos, o mesmo aumento da renda que reduziu a quantidade de moradores por domicílio faça com que as famílias voltem a crescer.

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