As contas de água e esgoto de Bauru viraram motivo de dor de cabeça para os contribuintes. De exorbitantes aumentos de até 700% no valor de um mês para o outro, até a cobrança da mesma fatura por quatro vezes, os disparates se tornaram rotina e passaram a incomodar a população desde a retomada do serviço pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE). Leia manifestação da presidência na página 5.
O próprio JC recebeu cartas de leitores reclamando da situação. Na edição do último dia 29, o leitor Pedro Valentim demonstrou-se inconformado e afirmou que "ao suspender as leituras dos Correios que estavam normalizadas e não ter oferecido um serviço idêntico ou melhor para a sociedade bauruense, o DAE transgrediu o princípio da eficiência administrativa contido no artigo 37 da Constituição Federal".
Em outra revindicação recebida pelo JC, o leitor Ricardo Ferreira Cardoso destaca o aumento na cobrança do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE). "Este mês fora cobrado o valor de R$ 16,66 e não vejo nada ser feito para este tratamento de esgoto de Bauru. Está mais parecendo uma falácia ".
A revolta expressa nas cartas também pôde ser constatada nas longas filas do Poupatempo da cidade. O guichê que recebe atendimento preferencial para pagamentos, esclarecimento de dúvidas e reclamações dos serviços do DAE, era o mais congestionado ontem.
Abordada pela reportagem do JC após deixa o Poupatempo, a advogada Fabiane Negrão, 38 anos, denunciou o aumento de 416% em sua conta deste mês. "No mês passado paguei cerca de R$ 150,00 e agora a conta veio com um valor de R$ 774,00", diz a advogada que mora com o marido e dois filhos na rua Oswaldo Rasi no residencial Lago Sul.
Ela conta que ao reclamar do aumento absurdo foi instruída pela atendente a refazer a medição (leitura) do hidrômetro de sua casa. "Agora vou ter que chegar à noite em casa, não usar água por uma hora e depois disso ver se o medidor está girando. Se estiver, aí me falaram que deve ser um problema de vazamento e que sou eu mesma que vou ter que resolver com um encanador. O problema é que a casa é nova e neste mês nós ainda viajamos por uma semana".
Indignação
Indignada, a contribuinte Fabiane Negrão espera por uma solução: "Sinceramente eu espero que tenha mesmo um vazamento. Ou tem mesmo um problema no aparelho, ou existe algo pior. Parece que por ser um bairro bom eles tendem a aproveitar da situação", diz.
Mas a incompatibilidade nos valores e nas medições não é exclusividade de bairros nobres de Bauru. O eletricista Jusseval Ribeiro da Silva, 40 anos, também esteve ontem no Poupatempo para buscar respostas do DAE. Dono de um imóvel na Alameda Flor do Amor, no parque São Geraldo, o eletricista conta que pagou três vezes a mesma fatura.
Ontem, ao invés de explicações, o contribuinte recebeu uma nova conta. "Isso é um absurdo. Não sei mais o que fazer. Paguei três vezes R$ 32,60. E tive que pagar as três, porque eles falam que no sistema consta como não paga e corro o risco de me cortarem a água", conta Jusseval mostrando as três faturas pagas equivalentes ao mês 6 (junho), e a nova cobrança agora referente ao mês 7 (julho).
"Eles dizem que se diagnosticarem o erro do sistema vão descontar nos meses seguintes. E se for isso eu teria pago junho, julho, agosto e agora setembro também. Mas será que vão mesmo? Já vim quatro vezes aqui e não resolvem nada. Toda vez aparece a mesma conta pra pagar de novo. Ninguém está entendendo nada. Esse DAE é uma bagunça", diz, inconformado.