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Popular e prático, wi-fi requer cuidados

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 5 min

A popularização da wi-fi, rede sem fio usada para conectar computadores à Internet em casa ou em lugares públicos, tornou possível fazer compras online, movimentar contas bancárias, atualizar redes sociais - entre outras transações -, em bares, hotéis, aeroportos, cafés, bibliotecas, supermercados e até em salões de beleza utilizando um notebook, smartphone ou outro aparelho com a tecnologia. Contudo, tal praticidade tem seus "perigos" e seu uso requer alguns cuidados, como senha de segurança e chave criptográfica (leia mais na página 4).

No Rio de Janeiro, por exemplo, já é possível caminhar por Ipanema e usufruir da implantação de wi-fi em orelhões do bairro. Atualmente, são nove os telefones públicos que ganharam a tecnologia em caráter experimental. As redes abrangem um raio de 50 metros, aproximadamente.

Por ser uma rede aberta, a principal vantagem da rede sem fio pública é que qualquer um pode usá-la, porém, esse fator também gera alguns riscos. Segundo especialistas, os internautas precisam ter cuidado antes de se conectar, já que é bastante comum a criação de honeypots (potes de mel), armadilhas feitas para capturar os dados expostos dos usuários conectados.

"Contudo, as redes usadas em casa são as mais vulneráveis porque, muitas vezes, as pessoas colocam uma senha fraca ou nem colocam senha na configuração, o que deixa a rede aberta e passível de invasão", lembra Rodrigo Garcia Pereira, técnico em informática da Faculdade de Ciências (FC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.

Segundo Rodrigo, a má configuração é a principal causa da insegurança oferecida pelas redes sem fio. "Em casos de empresas, por exemplo, é comum você encontrar senhas fáceis, como o nome da empresa, ou sem senha alguma.

No caso de quem necessita oferecer Internet ao público, uma opção segura é criar mecanismos de autenticação que registrem data, hora, tempo de conexão, máquina e usuários que utilizaram a Internet. As lan houses, por exemplo, têm o dever legal de guardar tais registros por 60 meses.

Rede segura


De acordo com o analista de informática Júnior César Rosante, também da da FC/Unesp, a diferença básica da Internet com fio para a wi-fi é que a última não precisa de cabo para o acesso. "A dificuldade é que você não vê quem está conectado a sua rede e muito menos quais são as intenções desse invasor".
A senha é a primeira medida de segurança que se deve ter com uma rede wi-fi. O ideal é que ela tenha o maior número possível de caracteres e que seja composta por letras maiúsculas e minúsculas, além de símbolos e números.
Contudo, quando se trata de máquinas, a senha não evita que terceiros observem o que você está fazendo. "Nesse caso, você precisa de segurança entre máquinas ou chave criptográfica, os chamados certificados digitais, aquele cadeado da conexão como o HyperText Transfer Protocol Secure (HTTPS)", explica Júnior.
Tal cadeado estabelece uma confiança entre as máquinas pessoais e o servidor. Tudo o que trafega de uma máquina para outra, a partir do momento em que você digita no teclado, sai criptografado. Assim, se alguém descobrir sua senha, até poderá ver seu tráfego de informações, mas não vai conseguir entender o seu conteúdo. O certificado digital previne que alguém acesse o seu tráfego no momento de uma transação como compra ou movimentação bancária.
Rosante explica que os roteadores atuais já vem com a tecnologia. Ele avalia que a WEP foi a primeira a ser utilizada e atualmente é a mais frágil. "As pessoas precisam usar ao menos a WPA na hora da configuração". Você tem a opção de deixar a rede aberta ao configurar o roteador, o que é a pior opção, pois, além de deixá-la lenta, um invasor pode entrar em sua privacidade, descobrir informações importantes e cometer crimes virtuais que poderão ser atribuídos a você (confira mais dicas de como se proteger no quadro ao lado).

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Dono de rede desprotegida poderá ser
responsabilizado por crime de terceiros


No último dia 12 de julho, a Justiça dos Estados Unidos registrou uma sentença diferente: um homem foi condenado a 18 anos de prisão após usar a conexão wi-fi de vizinhos para propagar conteúdo de pedofilia e ameaçar o vice-presidente americano, Joe Biden.

Segundo informações da imprensa norte-americana, Barry Ardolf, morador de Minneapolis, cidade do estado de Minnesota, tinha a intenção de prejudicar um casal de vizinhos que o denunciou à polícia depois que o criminoso tentou beijar na boca o filho do casal, de 4 anos de idade.

No Brasil, o acesso à rede alheia pode ser caracterizado como crime de interceptação telemática não autorizada. Contudo, casos como este são difíceis de serem provados. De acordo com José Antônio Milagre, advogado e perito especializado em tecnologia da informação, os tribunais entendem que o responsável jurídico por um crime é o titular da Internet registrada como a de origem do delito. "Dessa forma, o titular terá de provar que um terceiro utilizou indevidamente sua rede, o que é difícil".

Milagre aponta um caso em que o Protocolo de Internet (IP), uma espécie de identidade única de cada computador, registrado de um servidor de pornografia apontou a casa de um casal de idosos que nem ao menos sabia que a rede estava desprotegida. "Alguém havia se valido do tal ponto para acesso a download de conteúdo proibido. Se alguém usar uma Internet liberada para a prática de um crime, será o IP do dono da rede que ficará registrado, de modo que o proprietário será responsabilizado se não conseguir identificar o criminoso".

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