Tribuna do Leitor

A PONTE DE LÁ E A PONTE DE CÁ


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Há uma semana, o governo da China inaugurou a ponte da baía de Jiaodhou, que liga o porto de Qingdao à ilha de Huangdao. Construído em quatro anos, o colosso sobre o mar tem 42 quilômetros de extensão e custou o equivalente a R$ 2,4 bilhões.

Há uma semana, o Dnit escolheu o projeto da nova ponte do Guaíba, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, uma das mais vistosas promessas da candidata Dilma Rousseff. Confiado ao Ministério dos Transportes, o colosso sobre o rio deverá ficar pronto em quatro anos. Com 2,9 quilômetros de extensão, ele vai engolir R$ 1,16 bilhão.

Intrigado, o matemático gaúcho Gilberto Flach resolveu estabelecer algumas comparações entre a ponte do Guaíba e a chinesa. Na edição desta segunda-feira, o jornal Zero Hora publicou o espantoso confronto numérico resumido abaixo.

Extensão: chinesa 42 km, Guaíba 2,9 km; Custo total: chinesa R$ 2,4 bilhões, Guaíba R$ 1,16 bilhão; Custo por km: chinesa R$ 57 milhões, Guaíba R$ 400 milhões; Tempo de construção: chinesa 4 anos, Guaíba 4 anos; Tempo de construção por km: chinesa 35 dias, Guaíba 503 dias.

Os números informam que, se o Guaíba ficasse na China, a obra seria concluída em 102 dias, ao preço de R$ 170 milhões. Se a baía de Jiadhou ficasse no Brasil, a ponte não teria prazo para terminar e seria calculada em trilhões. Como o Ministério dos Transportes está arrendado ao partido PR, financiado por propinas, barganhas e permutas ilegais, o País do Carnaval abrigaria o partido mais rico do mundo.

Depois de ter ordenado o afastamento dos oficiais, aí incluído o coronel do Dnit, Dilma Rousseff parece decidida a preservar o general. "O governo manifesta sua confiança no ministro Alfredo Nascimento", avisou na segunda-feira uma nota da Presidência da República. "O ministro é o responsável pela coordenação do processo de apuração das denúncias feitas contra o Ministério dos Transportes".

Tradução: em vez de demitir o chefe mais que suspeito, Dilma o encarregou de investigar os chefiados. Corruptos existem em qualquer lugar. A diferença é que o Brasil institucionalizou a impunidade. Se tentasse fazer em outros países uma ponte como a do Guaíba, Alfredo Nascimento e seus parceiros saberiam que o castigo começa com a demissão e termina na cadeia.

Jorge Fainer

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