Damasco - Num dos dias mais sangrentos desde o início da revolta contra o regime sírio, em março, ao menos 140 pessoas foram mortas ontem por forças de segurança em várias partes do país, segundo ativistas de direitos humanos.
O principal foco da repressão foi na cidade de Hama (centro), onde tanques do Exército montaram um cerco contra os oposicionistas e abriram fogo, deixando dezenas de mortos e feridos.
Desde o início do movimento opositor ao ditador sírio, em março, os conflitos já deixaram ao menos 2 mil mortos na Síria, sendo mais de 1.600 civis, segundo números divulgados por organizações de direitos humanos.
Quarta maior cidade do país, Hama tornou-se nas últimas semanas como um dos principais bastiões de resistência ao regime do ditador Bashar Assad, com barricadas montadas para deter a entrada do Exército.
A ofensiva de ontem contrariou a expectativa de que o governo evitaria retomar Hama, dado o histórico sangrento da cidade.
Em 1982, sob as ordens de Hafez Assad, pai de Bashar, as forças de segurança mataram entre 10 e 20 mil pessoas para sufocar um levante islâmico, num dos maiores massacres já praticados no Oriente Médio.
O cerco a Hama parece ter sido uma advertência do regime Assad de que não irá tolerar uma escalada de protestos durante o Ramadã, o mês sagrado do islamismo, que tem início hoje.