São Paulo - A jornalista Ingrid Basílio, 48 anos, testemunha do acidente que matou o administrador Vitor Gurman, 24, disse ontem à polícia que a nutricionista Gabriella Guerrero Pereira, 28 anos, não estava dirigindo o Land Rover que atropelou o rapaz, no dia 23 de julho, na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo.
Ela afirmou que viu Gabriella em cima do engenheiro Roberto de Souza Lima, 34 anos, dono do carro e namorado da nutricionista, no banco do motorista após a colisão. O veículo capotou antes de atingir Vitor na calçada.
Ingrid compareceu ao 14º DP (Pinheiros) acompanhada do advogado Alexandre Venturini, que representa a família Gurman no caso.
"Fui uma das primeiras pessoas a chegar ao local e vi quem estava no lugar do condutor. Era ele, não ela. Não tenho dúvida disso", disse.
Com o depoimento, a Polícia Civil abriu uma nova linha de investigação do caso.
Vitor morreu na quinta-feira passada, cinco dias após o acidente. Depois de sua morte, Gabriella passou a ser investigada por homicídio doloso -no caso específico, quando a pessoa assume riscos de poder matar alguém.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Gabriella disse que estava ao volante e perdeu o controle do veículo. Afirmou ter optado por dirigir o carro do namorado porque ele estava embriagado.
Moradora de um prédio quase em frente ao local do acidente, Ingrid disse que chegou antes da PM. Afirmou também suspeitar de que as pessoas que socorreram o casal sejam amigos dos dois.
"Ouvi o barulho e desci imediatamente. Quando cheguei, vi um carro parado. Parece que eram amigos (do casal) que vinham atrás (da Land Rover). Eles já estavam socorrendo o rapaz", disse.
Ingrid disse ainda que, após a repercussão do caso, descobriu que a vítima era parente de uma amiga dela. Segundo a testemunha, ela forneceu seu nome, RG e telefone para os PMs que atenderam a ocorrência, mas não foi chamada para depor. Por isso, diz, decidiu ir à delegacia espontaneamente.
Outra versão
Em depoimento na semana passada, os policiais militares que atenderam a ocorrência deram outra versão. Segundo eles, as pessoas que ajudaram a socorrer relataram que Gabriella estava presa ao cinto de segurança no banco do motorista. Roberto estava acima dela. Essas pessoas ainda não foram ouvidas na delegacia.