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Previsão é de 3 graus nesta sexta-feira

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 4 min

A temperatura mais baixa do ano na região de Bauru está prevista para a madrugada desta sexta-feira. De acordo com os radares do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), instalados em Bauru e Presidente Prudente, neste dia os termômetros podem chegar a 3 graus, superando o recorde local do ano até o momento, quando a mínima chegou a 4 graus no dia 28 de junho.

Na ocasião, a temperatura havia assegurado a mínima mais baixa dos últimos 11 anos. Somente em julho de 2000 houve registro menor que o esperado para as próximas 48 horas, quando os termômetros da cidade marcaram 1,7 graus.

"Fazia 11 anos que vivíamos fora da normalidade. Para nós, meteorologistas, esta é uma situação típica para a época do ano. Nos outros anos é que não estávamos típicos", explica o meteorologista do IPMet e presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet), João Carlos Figueiredo.

Ele conta que o período sem frio deve-se ao fato das massas de ar não conseguirem chegar até aqui. "Tem muita coisa que a meteorologia não consegue explicar. Havia uma espécie de sistema de bloqueio que impedia a massa de ar frio de chegar, mas o porquê de conseguir impedir por tanto tempo, não se sabe. O fato é que esse é o inverno padrão. Antes, quando não tínhamos essas temperaturas nesta época do ano, é que havia um erro no clima".

A frente fria que desloca-se sobre o Estado de São Paulo deve fazer com que a região registre também a temperatura máxima mais baixa do ano. Isso significa que os termômetros em Bauru não deverão ultrapassar os 10 graus.

"A menor máxima registrada neste ano foi em junho também, mas ficou em torno de 14 a 15 graus. Nesta sexta-feira, esse número deve ser quebrado", diz o meteorologista.

Os dados do instituto comprovam que a massa de ar frio veio do sul do País, e apontam para próximos dias com sensação térmica bem abaixo do esperado pela população. "A frente (fria) veio da Argentina, chegou ao Rio Grande do Sul e agora está nos atingindo. A temperatura caiu tanto que a máxima geralmente registrada entre 15 e 16 horas, hoje (ontem) ocorreu às 4h10 da manhã", afirma Figueiredo.

A previsão para hoje é que a temperatura gire em torno de 10 graus. Após a queda brusca esperada para a madrugada de quinta para sexta, deve voltar a esquentar no fim de semana.

"A partir de sábado já começa a esquentar. É outra característica da nossa região. Nosso clima não segura muito a temperatura. São três dias de frio e depois a temperatura volta a subir", conclui o meteorologista.


Consumo e saúde


A queda na temperatura e a esperada geada devem ser sentidas também no bolso do bauruense. Se não de imediato, o pasto castigado pelo frio deve afetar o consumo nos próximos meses.

A geada registrada no mês passado castigou 80% das pastagens de Bauru e região e confirmou o "efeito gangorra" no preço, por exemplo, da carne. Sem pasto para alimentar o rebanho, o gado que deveria permanecer na engorda tem seu processo de comercialização antecipado. Com mais carne no mercado, o consumidor deverá se deparar com preços mais baixos.

Mas o mesmo processo será invertido e sentido pelo consumidor daqui há alguns meses, quando a demanda for grande para a carne disponível no mercado. É o que teme o advogado Luiz Alan, 57 anos. "As geadas causam prejuízo para a agricultura, para os hortifrutis e também para a pastagem. Tudo isso é refletido no preço dos alimentos e o custo de vida fica mais caro. É a natureza se impondo, cabe ao homem se adequar a ela", diz o advogado, que lembra ainda dos cuidados necessários com a saúde em épocas de muito frio.

"Hoje temos frio com uma intensidade muito grande, que o corpo custa a suportar. Quem mais sofre são as crianças e os idosos. A minha voz mesmo já está mais rouca, efeito dessa queda repentina de temperatura", conclui.

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Mudança de hábitos


A queda drástica na temperatura e a chuva fraca de ontem já alteraram os hábitos da população de Bauru. Mesmo não mudando a rotina de quem precisa trabalhar e estudar, os efeitos do frio repentino puderam ser observados com a presença de peças que vão do guarda-chuvas aos agasalhos, cachecóis, botas, toucas e luvas. As roupas de inverno já saíram dos armários para proteger as pessoas do mau tempo.

"Foi muito de repente, de um dia para o outro. A gente nunca se prepara para um frio desses, mas o jeito é se virar com a roupa que tem e tirar tudo que está guardado dos cabides", conta a auxiliar de atendimento Tamara Cristina Pinheiro Agostinho, 20 anos.

O mesmo frio que incomoda muitas pessoas, também movimenta o comércio. A doméstica Edilaine Martins, 28 anos, aproveitou para sair mais cedo do trabalho e correr às compras para renovar o guarda-roupas e se preparar para a madrugada mais fria do ano. "Vou comprar blusas para mim e para minhas duas filhas. Não teve jeito. Um frio desses, temos que nos prevenir", diz.

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