Opiniões de alguns leitores manifestadas na coluna de publicação de suas cartas deste jornal se dividiram quanto à propalada candidatura ao cargo de prefeito municipal de Bauru nas eleições do próximo ano do ex-prefeito da vizinha cidade de Agudos. Os leitores favoráveis à possibilidade dessa migração enaltecem os predicados do ex-prefeito, sobretudo o di-namismo empreendido na laboriosa gestão muito contribuindo no desenvolvimento urbanístico de Agudos. Já os descontentes com a hipótese estão convencidos que os nomes dos pretendentes a prefeito surjam de solução do-méstica, com a indicação de nomes de pessoas aqui radicadas, sustentando que a sociedade local revela valores suficientes para o aproveitamento de gente da casa, circunstância que deixa de ser conveniente senão desnecessário a cidade ser administrada por político estranho a nossa comunidade ou alheio a grupos políticos aqui formados.
A posição adotada pelos bairristas recusando "gente de fora" no comando do Executivo loca, destoa da realidade, ao menos por duas razões: 1ª) Poucos prefeitos que a cidade teve aqui nasceram. Estimulados por causas diversas procederam de outras plagas, predominando a escolha da cidade por tendência profissional, todavia, paralelamente a esse motivo, envolveram-se na política fortuitamente ou por vocação; 2ª) É de somenos importância o lugar de nascimento, como igualmente é irrelevante a anterior militância política local em nada importando o nome da agre-miação partidária do candidato, fatores insuficientes para sobrelevarem as virtudes pessoais e o curriculum vitae do candidato. Isto sim é que tem influência nos eleitores conscientes, os que desejam melhor sorte para sua cidade e almejam continuar vê-la recuperando-se do longo período de sonolência, surgido de atuação insatisfatória de alguns mandatários, embora fossem pessoas ligadas e radicadas na cidade.
Quem viveu tempo um pouco mais remoto deve lembrar-se que Antônio Guerrisi, ex-prefeito de Itapuí e antigo morador daquela terra, candidatou-se e foi eleito prefeito municipal de Pederneiras. Em tempo mais recente o médico sanitarista David Capistrano Filho, fixado com família nesta cidade, prestou bons serviços como secretário municipal de saúde de Bauru, depois secretário de saúde de Santos e secretário de Estado de saúde do Amazonas. Retornou à cidade litorânea de Santos e à política daquela cidade empolgado com o apoio das lideranças do Partido dos Trabalhadores que o lançou candidato a prefeito, e, abonado pelo prestígio dos santistas foi conduzido ao cargo de prefeito municipal para o período 1993/96.
Essa polêmica levantada de quando em quando se resolve com a avaliação pelos eleitores do candidato a prefeito considerando as qualidades pessoais detidas. Se possui alguma experiência política, será fundamental que sua folha de serviços seja marcada por trabalho sério e responsável. Isto é o que vale. Independente da origem do nascimento do candidato, os eleitores reclamam um administrador que saiba gerenciar um orçamento acanhado para uma cidade moderna e pretensiosa se comparada à receita de outras cidades do mesmo porte. Mas sempre há meios de melhorar o orçamento municipal desde que haja desprendimento e coragem do prefeito. O aumento da receita é assunto melindroso geralmente evitado pelos prefeitos uma vez que seu planejamento e execução visa diretamente o bolso do munícipe, e esse tipo de sangria costuma sacrificar pretensões políticas futuras. É comum chefes do Executivo recusarem sugestões na governança sob o argumento: "Isso não dá votos". Muita coisa de fato não rende votos, mas produz benefício para a cidade. É o caso do projeto de lei tramitando na Câmara Municipal local no objetivo de implementar parte do Estatuto da Cidade referente ao parcelamento, edificação ou a utilização compulsórios do solo urbano como instrumentos da política urbana indispensável à disciplina do crescimento da cidade. Essa proposta, de incontestável justiça tributária, elevará o IPTU aos contribuintes que descuidam de sua propriedade imóvel e, por via oblíqua, desinteressam-se pela melhoria urbanística da cidade.
O autor, Alfredo Enéias Gonçalves d?Abril, é professor universitário, aposentado