Eldorado - Quando as ruas do centro de Eldorado (243 km de São Paulo) começaram a alagar, na última segunda-feira, o funcionário público Alexandre Borges, 37 anos, pegou suas coisas, levou para o telhado de casa e por lá ficou por quase 24h. Ele temia saques e queria vigiar o nível da água.
Já o farmacêutico João Miguel Almeida, 43 anos, pegou seu barco e começou a circular pela cidade do vale do Ribeira. Salvava moradores que não haviam conseguido sair de suas casas ou que, como Alexandre, não queriam deixar as coisas para trás. Em dois dias, Almeida diz ter resgatado mais de 100 pessoas ilhadas pela chuva.
Entre segunda-feira e anteontem, 70% das ruas da área urbana de Eldorado ficaram debaixo d?água, segundo a Defesa Civil municipal. A cidade foi um das nove de São Paulo atingidas pelas chuvas da última semana.
Cerca de 8.200 pessoas continuam desabrigadas ou desalojadas em todo o Estado. Em Eldorado, cerca de 6 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, de acordo com a Defesa Civil estadual. O município decretou estado de calamidade pública.
Ontem, a água começou a baixar, mas os moradores não podiam voltar porque não havia água, a não ser a da chuva, para limpá-las. Sem confiar que haveria enchente, muitos moradores não quiseram sair de casa. Muitos acabaram perdendo todos os seus pertences.
Foi a maior enchente na cidade desde 1997. Naquele ano, porém, foi preciso um mês de chuva para alagar as ruas. Agora, foram três dias. Segundo a Defesa Civil, a explicação está nas chuvas que caíram na cabeceira do rio Ribeira, no Estado do Paraná, desde o fim de semana.
Paraná
No Estado vizinho, as cidades de Doutor Ulysses e Cerro Azul, no vale do Ribeira - próximas à divisa com São Paulo -, contam 10 mil pessoas isoladas em áreas rurais.
"Lá do outro lado (do rio), já está faltando água, alimentação, tudo isso. São 7 mil pessoas para quatro ou cinco vendinhas pequenas", afirmou o coordenador da Defesa Civil de Cerro Azul, José Nunes do Nascimento.
O abastecimento de água e comida está sendo feito com um helicóptero da Defesa Civil. A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), que fornece água a algumas das famílias isoladas, está instalando um cabo de aço sobre o rio Ribeira por onde deve passar uma rede de abastecimento. Também se estuda colocar uma balsa para fazer a travessia.
Tempo seco
A Defesa Civil colocou a cidade de São Paulo em estado de atenção na tarde de ontem devido à baixa umidade relativa do ar.
De acordo com o órgão, a medição por volta das 13h foi de 28%.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), índices de umidade relativa do ar inferiores a 30% caracterizam estado de atenção; de 20% a 12%, estado de alerta; e abaixo de 12%, estado de emergência.
Os principais efeitos da baixa umidade são secura na garganta e nos olhos e problemas respiratórios.