João Pessoa - O futuro ministro da Defesa, Celso Amorim, fez elogios ontem ao antecessor, Nelson Jobim, e reconheceu que a Defesa tem uma estratégia definida e prometeu respeitar interesses estratégicos da Nação. Ele admitiu a satisfação com o convite feito pela presidente Dilma Rousseff para integrar o primeiro escalão. Amorim terá hoje, em Brasília, o primeiro encontro com os comandantes das três Forças, que não digeriram a indicação do novo titular da Defesa.
Em palestra na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) ontem, em João Pessoa (PB), o ex-chanceler Celso Amorim afirmou que terá que ser "mais cuidadoso com as palavras" no Ministério da Defesa.
Amorim foi convidado para assumir a pasta no lugar de Nelson Jobim, demitido após uma série de declarações polêmicas. "Eu já não posso falar como um ex-ministro das Relações Exteriores. Terei que ser mais cuidadoso com as palavras para não me comprometer", disse Amorim na palestra.
À revista "Piauí" Jobim disse que a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) é "fraquinha" e que Gleisi Hoffmann (Casa Civil) "sequer conhece Brasília". Antes disso, Jobim havia declarado que votou em José Serra nas eleições de 2010.
Jobim também causou constrangimento ao Planalto em solenidade de homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, disse ser preciso tolerar a convivência com "idiotas" que "escrevem para o esquecimento". Jobim disse depois ter se referido a jornalistas, mas petistas entenderam a declaração como um recado ao governo.
Na palestra de ontem, Amorim elogiou sua participação à frente do Ministério das Relações Exteriores durante governo Lula. Para ele, os principais avanços durante a sua gestão no ministério se deram com países da África, América do Sul e a Índia.
A posse do novo ministro da Defesa deve acontecer na próxima segunda-feira.
Escolha inadequada
O presidente nacional do PSDB, o deputado federal Sérgio Guerra (PE), considerou ontem que a escolha de Amorim para substituir Jobim foi "completamente inadequada". Na avaliação do tucano, o ex-ministro das Relações Exteriores não aparenta ter perfil ou vocação para atuar à frente da pasta.
O presidente do PSDB elogiou o ex-ministro Nelson Jobim e considerou que ele "não cabia" no atual governo federal. O deputado federal negou que tenha convidado o ex-ministro para ingressar no PSDB, mas ressaltou que as portas da sigla estão abertas ao ex-titular do Ministério da Defesa.