Regional

Região tem o seu ABCD

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A região de Bauru também tem seu ABCD como a Capital. A grande Bauru é rodeada de cidades, distritos e patrimônios que nasceram por força da ferrovia. Ao redor de cada estação surgiu um povoado, ergueu-se uma igreja e aquela localidade passou a ter vida. Todas eram batizadas por ordem alfabética e assim se formou o nosso ABCD: Alba, Brasília Paulista, Cabrália Paulista e Duartina.

Alguns desses povoados prosperaram e hoje são municípios de pequeno porte, como Cabrália Paulista com seus cinco mil habitantes. Já Duartina cresceu e tem cerca de 13 mil moradores, uma economia diversificada e muito lazer que atraem turistas da região e até de outros Estados. A pista de motocross e a de aeromodelismo são atrativos.

O povoado de Alba quase desapareceu. O espaço é ocupado por chácaras e do auge da ferrovia conserva apenas o imóvel que um dia serviu de embarque e desembarque de passageiros, capela, um galpão e o coreto. A estação aberta em 1924 já se chamou América, quando era uma construção provisória. Recebeu a denominação porque nas imediações havia uma fazenda que se chamava Santa Maria da América.

O prédio mais novo foi entregue em 29 e em 1933 o povoado passou se chamar Alba. Do antigo agrupamento restou pouca coisa. A estrutura da antiga parada de trem ainda está em pé, mas serve de moradia de pombas e urubus. Não há mais nem as portas originais.

Segundo o prefeito de Piratininga (13 quilômetros de Bauru), Odail Falqueiro, responsável pela administração do patrimônio, a estação foi vendida e hoje é da iniciativa privada. Hoje, Alba não tem muitos atrativos. A igreja só abre em ocasiões especiais, a estação ferroviária é ocupada por aves e entulhos, o coreto e o galpão estão mal conservados. Falqueiro frisa que Alba já teve um representante na Câmara Municipal. "O seo Mesquita foi eleito vereador. Hoje, são chácaras bonitas, bem tratadas, quase independentes. As crianças que moram lá são transportadas para as escolas de Piratininga porque lá não tem escola."

A estação ferroviária de Alba, em 33 fazia parte do prolongamento do rama de Agudos e foi a primeira estação desbravadora do sertão da Paulista. "Ela tinha o nome começando com a letra "A", uma regra definida pela Companhia."

Em 1941, Alba passou a fazer parte do tronco oeste. Anos mais tarde chegou a eletrificação da linha e a bitola larga. Em 1976, com a inauguração da chamada variante Bauru/Garça, feita pela Fepasa, Alba foi desativada e perdeu os trilhos. Serviu de moradia.

Alba tem uma única rua. Os visitantes são recebidos por uma lindas árvores e flores que fazem do espaço um local bucólico. O cenário se completa com uma pequena capela que data de 1940 que tem mesa com bancos na frente e uma pequena horta no quintal. Chácaras tomadas de flores e plantas lembram a singela comunidade que por ali passou.

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