Imagine uma Brasília sem políticos, sem avenidas largas, sem palácios, sem trânsito, com poucos moradores, nenhuma manifestação e menos corrupção. Quem apostou que isso não existe, errou. A Brasília Paulista que um dia foi uma estação ferroviária existe, mas nem de longe lembra a capital do país.
A ?nossa? Brasília poderia ser capital, mas do sossego, da tranquilidade. Não tem comparação. Até para você achar a entrada do distrito é difícil, fica na rodovia Bauru/Ipaussu. A partir dali, o caminho é de terra.
Mas, para quem gosta da natureza, a via é um verdadeiro deleite, tem mata de ambos os lados até chegar em uma outra placa, menos ainda que sinaliza a entrada do povoado. Um mata-burro, que pouca gente conhece, separa a estrada de terra da entrada.
Ruas sem calçamentos, uma única escola municipal e avenidas com apenas 300 metros de comprimento. Na principal delas, rua Tupys, ainda há as traves para amarrar o cavalo (frades de pedra) e um galinheiro onde se prende as aves antes de vendê-las, no final de semana, quando a ?nossa? Brasília recebe visitantes.
Os visitantes buscam sossego para curtir o final de semana. Levam para casa, ovos caipira, um franguinho criado de maneira antiga e convivem com as pessoas simples. Não há ministros, senadores, deputados e autoridades como na capital do país.
Mas nem sempre foi assim. Na época da ferrovia, no auge do transporte pelos trilhos, Brasília Paulista teve até vereador, lembra Odail Falqueiro, prefeito de Piratininga. "Era o ?Chico das Cabras? que defendia os moradores daquela região."
As casas de arquitetura simples não chamam a atenção dos turistas que na Brasília Capital procuram as obras de Oscar Niemeyer para fotos. São avenidas e ruas sem calçamento. O distrito ainda não tem serviço de esgoto, que segundo Falqueiro, está prometido para o próximo ano. "Ainda tem fossa. A Sabesp prometeu que no ano que vem vai ter esgoto."
A água encanada foi uma benfeitoria a partir dos anos 90. "Quando eu fui prefeito, eu levei água encanada, antes, o distrito era abastecido por um poço. A energia elétrica também foi levada nessa época. Vamos iniciar a construção de uma quadra de esportes e reforma do campo de futebol. Os 600 moradores pagam IPTU."
Com o recolhimento de imposto são feitas a conservação de estrada e o transporte dos moradores para a escola, reforma dos prédios públicos e o mais interessante, uma vez por semana, um ônibus busca os moradores para que eles façam compras na vizinha Piratininga.
A estação de Brasília Paulista que deu origem ao bairro rural fazia parte do projeto de estações desbravadoras da Paulista. Os prédios, onde estava o embarque e desembarque de passageiros e o galpão, inaugurados em 1926 foram vendidos em 1976.
Município-sede investe em distrito
A Educação em Brasília Paulista vai bem, diz o prefeito de Piratininga. Segundo ele, no distrito há uma escola, Maria José de Campos Vasques. Ela é responsável pelo ensino infantil e fundamental. Atende 44 alunos.
O estabelecimento passa por reforma desde março. Para isso, os estudantes foram transferidos temporariamente para as escolas municipais da cidade de Piratininga, todas estão sendo transportadas por veículos da prefeitura. O prazo para execução da obra é de seis meses. "Será feita uma reforma completa. A última foi feita em 1990."
Lugarejo teve estação ferroviária
Brasília Paulista está em desenvolvimento na opinião de Eva da Silva Cardoso, 81 anos. Ela mora no local há 51 anos e quando ela ali se instalou ainda havia a estação ferroviária e o trem em movimento. "Hoje, só tem movimento nos finais de semana, quando as chácaras ficam cheias. O movimento no bar também aumenta."
Ela lembra que mora no mesmo local, rua principal do distrito, rua Tupys. "Aqui é muito sossegado. Eu ainda tenho galinha e frutas no quintal, como a maioria dos moradores."
Dona Eva frisa que Brasília evoluiu muito. "Quando eu mudei para cá não tinha água encanada e nem energia elétrica. Criei meus nove filhos. Meu marido sempre trabalhou na roça."
O jovem André Luiz Prado Russo, 16 anos, chegou de São Paulo há um ano e estranha a tranquilidade do local. "É muito sossegado. Já conheço todo mundo. É um mundo menor."
Jonatas Lisboa Rodrigues tem 15 anos e há três está em Brasília Pta. "Vim de Piratininga e os meus colegas de escola dizem que eu vivo no sitião. Acredito que o distrito deveria ter um representante na Câmara Municipal. Estamos sem campo de futebol, precisamos de asfalto e de um supermercado."
Na opinião dele, em compensação, em Brasília Pta. é possível tomar leite puro, comer ovo caipira e pão feito em casa. "Vivemos à moda antiga."
Especulação imobiliária
Os cerca de 600 moradores de Brasília Paulista não sabem muito bem o que é especulação imobiliária, como na capital do país. O local também abriga várias chácaras onde os proprietários passam os finais de semana. Eles fazem parte da população flutuante.
Tudo é mais barato na nossa Brasília. Um terreno de 400 metros quadrados que em Bauru custa em média R$ 100 mil em um bairro. Lá custa R$ 7 mil. Em Piratininga, R$ 50 mil, o que faz com que muitos moradores da região invistam em uma área para lazer.
A mão de obra, também voltada para a agricultura, faz o trabalho nas propriedades por preços bastante acessível. Um telefone público é o responsável pela comunicação com o mundo. O orelhão está na rua Tupys, a mais importante.
Estação de Cabrália Paulista se transformou em cidade
Na sequência das estações desbravadoras está Cabrália Paulista, uma cidade com cinco mil habitantes que vive da cultura de eucalipto, laranja e indústrias. A escola agrícola Astor de Mattos Carvalho é a referência no município.
O desafio atual de Cabrália é construir cerca de 600 moradias para suprir o déficit habitacional, segundo o engenheiro Vicente Luis Ribas de Abreu, responsável pelo setor de obras do município. "Temos essa demanda."
A população formada de pessoas simples trabalham especialmente na agricultura. "Temos uma indústria de urnas funerárias e embalagens de madeira". As embalagens para os setores de autopeças, alimentício e construção civil possibilitam uma ligação entre Cabrália e o mercado externo, conforme explica o empresário Nivaldo Betoni.
"As empresas é que exportam seus produtos com as nossas embalagens. Estamos nesse mercado desde 1980. Nossas embalagens vão para a América do Sul, Estados Unidos, Alemanha e Europa. Para sair do País, as embalagens recebem tratamento fitosanitários, uma norma internacional."
A empresa oferece 100 vagas de empregos. "Escolhemos Cabrália porque à época era o foco do reflorestamento e serrarias. Hoje só trabalho com madeira reflorestada. Atualmente trabalhamos com eucalipto."
Prefeitura prioriza conservação de prédios
A atual administração de Cabrália, segunda gestão de Jacintho Zanoni Filho, prioriza a restauração e reforma de prédios que estavam deteriorados, de acordo com o responsável pelo departamento de obras, Vicente de Abreu.
"Reformamos o Mirante Clube que estava completamente deteriorado. A praça Antônio Pereira ganhou novo layout com nova jardinagem e com o funcionamento da fonte que há 30 anos estava parada. A arborização foi refeita, assim como os banheiros públicos. A obra custou R$ 130 mil. R$ 100 mil foi uma verba do governo do Estado e R$ 30 mil de contrapartida da prefeitura."
Uma verba federal está possibilitando a construção do Centro Integrado de Esportes. Localizado nos fundos do Mirante Clube, ele vai possibilitar um espaço todo voltado ao lazer. "No local vai ter jogos de dama, tabuleiro, ping- pong, um ponto de encontro, capoeira e lanchonete."
O antigo prédio da prefeitura, que também estava bastante danificado foi reformado e hoje abriga o Centro de referência e Assistência Social (Cras). A obra custou cerca de R$ 104 mil. A verba do governo estadual foi de R$ 100 e a prefeitura entrou com R$ 4 mil."
Topografia de Duartina não
coopera com o cultivo da laranja
Dois pequenos agricultores de Duartina cultivam laranja há muitos anos, mas desde 2000 que o município ganhou mais 11 plantadores da fruta. Destinada a fabricação do suco, a laranja emprega cerca de 300 pessoas, durante a colheita.
"É uma cultura que vem crescendo com a experiência e tecnologia. Porém, a topografia do município não coopera, embora o solo se adapte muito bem a esse tipo de cultivo. Por ter muitos declives, o município dificulta a retirada do produto por meio de caminhão e a mecanização", ressalta o coordenador da agricultura municipal, Rafael Casarin Garla.
De acordo com ele, a primeira cultura de Duartina foi a criação do bicho da seda, seguida do café e pecuária tanto para corte como para leite, atividade que persiste até os dias atuais. A plantação de eucalipto também figura como parte das atividades.
"Temos aproximadamente 500 mil pés de laranja e uma plantação enorme de eucalipto que também se adapta ao solo. Tem um agricultor plantando Guanandi, uma madeira de lei semelhante ao mogno. Daqui há 25 anos vamos ter madeira para exportação."
Pista de aeromodelismo é a maior do país
Ao mesmo tempo que investe na busca por empresas para montar um parque industrial , a prefeitura de Duartina quer atrair turistas. O ecoparque é um atrativo que somado à pista de aeromodelismo e motocross tem levado pessoas de todo o Brasil a conhecer a cidade.
"Temos a maior pista de aeromodelismo do Brasil. São 270 metros de comprimento por 15 de largura. No primeiro encontro realizado aqui recebemos turistas de todo o Estado e de fora, especialmente de Boituva, Marília, São Paulo e Londrina," frisa o prefeito Aderaldo Pereira de Souza Jr.
De acordo com ele, tanto a pista de aeromodelismo como a de motocross atendem a reinvindicações da população. "Este ano realizamos o 1o Campeonato Paulista de Motocross, em junho passado. Os comerciantes da cidade festejaram as vendas."