A ascensão socioeconômica de 30 milhões de brasileiros nos últimos anos não deve arrefecer o empenho nacional voltado à erradicação da miséria. Segundo números oficiais, ainda enfrentam essa perversa condição cerca de 19 milhões de pessoas.
O modelo mais contemporâneo e eficiente para solucionar esse desafio trata-se da constituição de redes dedicadas, referentes às causas do ensino, saúde, cultura, formação profissional, geração de renda, proteção a jovens e adultos sob risco social e/ou sem vínculo familiar, esporte e lazer educativo. Contudo, ao invés de ações dispersas e às vezes até redundantes de distintos organismos e instâncias do poder público e instituições beneméritas, o trabalho passa a ser realizado pela sociedade organizada, incluindo fundações, institutos e empresas, além do governo.
As chamadas redes sociais congregam pessoas e organizações públicas e privadas, de maneira democrática e participativa, na construção de projetos coletivos em prol do bem comum. É uma estratégia inovadora que se assenta justamente na organização cívica e pacífica da sociedade nos anos 80. Desde os memoráveis comícios das "Diretas Já" e da Constituição de 88, avançamos, mas precisamos ter uma participação mais efetiva, dos indivíduos e das comunidades, no processo de desenvolvimento. O advento da intersetorialidade suscita o aperfeiçoamento do Estado, compartilhando com a sociedade ações profissionais e eficazes, com foco em resultados efetivos, o governo cumpriria de modo mais efetivo o papel específico referente ao cumprimento das leis, justiça, fiscalização e segurança.
A organização e operação das redes intersetoriais dependem da capacidade de financiamento das ações, incluindo o estabelecimento de parcerias das entidades de benemerência com fontes de recursos financeiros privados e governamentais. A Confederação Brasileira de Fundações (CEBRAF) é uma das signatárias da "Plataforma por um novo marco regulatório para as organizações da sociedade civil", entregue, no final do ano passado, a todos os candidatos à presidência da República.
Outro importante momento para discutir questões cruciais para a Nação será o 6o Encontro Paulista de Fundações, em 25 de agosto, na cidade de São Paulo, que reunirá palestrantes de reconhecido gabarito. O tema central será "Formas de Fomento/Financiamento do Terceiro Setor, Parcerias Públicas e Privadas". No evento, promovido pela Associação Paulista de Fundações (APF) e que se consolida como um dos principais fóruns nacionais no âmbito das organizações da sociedade civil, reafirmaremos que queremos, podemos e sabemos como converter o Brasil num país desenvolvido, justo e socialmente sustentável!
O autor, Dora Silvia Cunha Bueno, é presidente da Confederação Brasileira de Fundações - Cebraf - e da Associação Paulista de Fundações - APF