Internacional

BC Europeu anuncia intervenção "ativa" no mercado de bônus

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Londres - Depois de uma reunião de emergência, o BCE (Banco Central Europeu) anunciou ontem que irá atuar ativamente para garantir a estabilidade na zona do euro.

Isso significa que o banco pode comprar a partir de agora títulos públicos de Itália e Espanha, que têm sido obrigadas a pagar juros de até 6% ao ano por papéis de dez anos - percentual insustentável a longo prazo.

É uma tentativa do BCE de acalmar os mercados, que na semana passada tiveram perdas não vistas desde o auge da crise de 2008.

Entre as razões para o pânico no sistema financeiro estão o risco de calote de alguns países europeus (Itália e Espanha, em especial) e a expectativa de que ocorra uma nova recessão mundial.

Os efeitos da decisão da Standard & Poor?s, que na sexta anunciou o rebaixamento da nota de crédito dos EUA de AAA para AA+ também por excesso de dívidas, só serão conhecidos hoje.

Em um comunicado divulgado no final da noite, o BCE disse que Itália e Espanha estão tomando medidas corretas para reduzir a dívida, aumentar a competitividade e crescer.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, anunciou que irá acelerar a implementação de um pacote de austeridade para acabar com o déficit do país até 2013. Prometeu corte de salários de políticos eleitos e até a inclusão na Constituição de que o país não poderá gastar mais do que arrecada.

A Itália tem hoje uma dívida que equivale a 120% do PIB (conjunto de riquezas do país) e sua economia patina.

No segundo trimestre, cresceu apenas 0,3% em relação ao anterior. Na Espanha, o avanço foi de 0,2%.

Além da reunião de emergência do ECB, líderes das principais economias do mundo também discutiram por telefone formas de tentar evitar que fosse mais um dia de grandes perdas nos mercados.

As Bolsas do Oriente Médio, que funcionam no domingo, fecharam ontem com fortes quedas.

____________________

Standard & Poor?s vê chances de novo rebaixamento


Washington - O diretor-gerente da agência de classificação de risco Standard & Poor?s, John Chambers, afirmou ontem que existe uma em três chances de haver um novo rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos nos próximos seis meses a dois anos

"Temos uma perspectiva negativa... de seis meses a 24 meses", disse ele a um programa do canal de TV ABC.

"E se a posição fiscal dos EUA se deteriorar mais ou se a contenção política se tornar mais arraigada, isso pode levar a um rebaixamento. A perspectiva indica pelo menos uma em três chances de rebaixamento nesse período".

Chambers disse que levará algum tempo para que os EUA recuperem a nota máxima de crédito "AAA".

"Exigiria uma estabilização da dívida como parte da economia e um eventual declínio. E exigiria, eu acho, maior habilidade para obter consenso em Washington do que vemos hoje", acrescentou.

Comentários

Comentários