Santiago - A onda de protestos no Chile trouxe de volta ao debate político uma velha rixa entre direita e esquerda, que deixou marcas profundas na história do país por causa da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
O primeiro sinal é a volta de um vocabulário que há muito não se via, com o uso de expressões como "subversivos" e "cachorros" para definir opositores políticos. A virulência transbordou para as ameaças de morte a uma das líderes do movimento estudantil, Camila Vallejo, 23 anos.
O senador Carlos Larraín, presidente do Renovação Nacional, partido do presidente Sebastián Piñera, disse que os estudantes são um "bando de subversivos inúteis". Do outro lado, um líder estudantil acusou o ministro do Interior do Chile, Rodrigo Hinzpeter, que é judeu, de importar para o país a "violência típica de Israel".
Diante dos ânimos acirrados, os estudantes convocaram para esta manhã uma greve geral, que vai contar com a adesão de outros setores insatisfeitos (como sindicatos e ecologistas). O governo não autorizou a marcha, mas os estudantes afirmam que ela está mantida.