Internacional

Bolsas repetem auge da crise de 2008


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Washington - Os números não deixam dúvidas. O mercado global viveu ontem o dia mais sangrento desde o auge da crise que eclodiu em setembro de 2008. As quedas foram generalizadas, com exceção, ironicamente, do ativo que provocou a confusão (os títulos do Tesouro dos Estados Unidos) e do tradicional ouro, que renovou a cotação recorde (US$ 1.720 a onça).

No Brasil, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) desabou 8,08%, maior perda desde 22 de outubro de 2008, e o dólar subiu 1,6%, para R$ 1,612.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que "o Brasil está preparado, mas não está imune à crise". Ele também garantiu que o governo vai apertar as contas públicas. "Prometo a cada mês uma surpresa (na área) fiscal."

O foco desta crise é justamente a dúvida dos investidores sobre a capacidade de os países ricos honrarem suas dívidas. Em alguns casos, a desconfiança aparece já no curto prazo (casos de Espanha e Itália). Em outros, o temor está no médio e longo prazos (casos de EUA e França).

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs que o governo brasileiro adote a mesma receita de 2008 para lidar com a crise atual: estímulo ao consumo interno. "(O Brasil) vai continuar com o seu mercado interno, uma das razões pelas quais a economia vai continuar crescendo".

O desempenho dos mercados ontem foi um dos mais "cantados" da história. Sexta-feira à noite, quando já não havia negociações de ativos em nenhuma parte do planeta, a agência de classificação de risco Standard & Poor?s reduziu o chamado rating (nota) dos EUA de AAA para AA+.

No fim de semana, discutiu-se qual o efeito do rebaixamento sobre os mercados. Afinal, os papéis americanos são considerados os mais seguros do mundo. É por isso que, em momentos de volatilidade, são procurados por investidores, em um movimento chamado de ?flight to quality? (voo para qualidade).

Parece contraditório, mas, ontem, esse movimento se repetiu. O juro do bônus de dez anos, por exemplo, bateu a mínima de 2,309% ao ano, nível mais baixo desde 2009. A remuneração (juro) desses papéis cai quando a procura aumenta. "Não há opção comparável aos títulos do governo americano. Os outros papéis sempre terão qualidade inferior", afirmou o sócio da gestora Investport Dany Rappaport.

A tensão deve continuar nos próximos dias, ainda em razão da mudança no rating americano. Mas, mesmo a médio e longo prazos, não se espera um desempenho promissor dos mercados.

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