Londres - Após três noites de saques e vandalismo e a morte de uma pessoa (um homem foi encontrado baleado num carro no sul de Londres), a polícia tentou retomar o controle da Capital do Reino Unido. Ao todo, 16 mil policiais foram para as ruas, 10 mil a mais que na noite anterior, e 563 pessoas já foram presas, o que lotou as prisões.
A polícia ameaça usar balas de borracha em novos conflitos. Elas só foram usadas no Reino Unido em operações na Irlanda do Norte. Mas, enquanto a Capital estava mais policiada, novos saques e confrontos ocorreram em Birmingham e Manchester, no centro do país. Em Nottingham, também no centro, um grupo colocou fogo num posto policial.
Durante todo o dia, os londrinos mostravam um misto de indignação e medo de uma nova onda de ataques. Lojas nas zonas norte e sul fecharam mais cedo por temor de saques, funcionários foram dispensados e muitas pessoas preferiram ficar em casa.
Muitos estavam indignados e cobraram as autoridades e a polícia, que foi incapaz de impedir a violência cometida por jovens e que começou no sábado.
O prefeito de Londres, Boris Johnson, que interrompeu suas férias, ouviu gritos para renunciar enquanto visitava Clapham, no sul, onde vitrines foram destruídas, lojas saqueadas e um prédio incendiado anteontem. "Onde estava a polícia?", gritavam os moradores. Segundo eles, a violência durou duas horas e só no final apareceram alguns policiais. O vice-premiê, Nick Clegg, foi vaiado em Birmingham.
O primeiro-ministro, David Cameron, também interrompeu as férias e voltou a Londres. Ele convocou o Parlamento para uma sessão extraordinária na quinta e insistiu em que os "criminosos responsáveis pela violência serão presos e processados".
A Justiça diz que acelerou os processos e já condenou 20 pessoas pelos saques.
Morte
A polícia não divulgou detalhes sobre a morte do homem no sul de Londres, em Croydon. Seu corpo foi encontrado dentro de um carro, na segunda, enquanto saqueadores incendiavam prédios.
Num outro revés para a corporação, a agência independente que investiga a morte de Mark Duggan diz que ele não disparou contra os policiais antes de ser morto, na quinta-feira. Foi a morte de Duggan que deu início à onda de protestos. No sábado, seus familiares e amigos foram até a delegacia de Tottenham (norte de Londres) pedir explicações sobre seu assassinato.
Não obtiveram resposta. Logo depois, jovens usando capuzes e lenços para esconder os rostos atacaram os policiais com pau, pedras e latas de lixo. Na sequência, começaram os saques e incendiaram uma loja e um prédio de apartamentos. Nos dois dias seguintes, o mesmo aconteceu em outras regiões da cidade. Continua a discussão sobre a origem da violência. Enquanto alguns culpam a situação econômica e a política de austeridade, governantes insistem em que se trata de um pequeno número de criminosos. "Vamos acabar com as desculpas sociológicas e tratar isso como criminalidade", disse Boris Johnson.
Violência em enfraquece a imagem para Olimpíadas
Londres - Os tumultos de Londres nesse fim de semana não poderiam ter ocorrido em momento pior para um país que se prepara para receber milhões de visitantes nas próximas Olimpíadas e se esforça para atrair investimentos, enquanto a economia vacila.
Correram o mundo as imagens de prédios incendiados, saques em lojas e a polícia em confronto com gangues de mascarados, arriscando arranhar a reputação da Grã-Bretanha como um lugar para visitar e fazer negócios, disseram analistas e líderes empresariais na terça-feira.
O especialista em controle de crises Alex Woolfall afirmou que é crucial que a polícia e o governo coloquem um fim rápido aos tumultos para evitar causar um dano duradouro à imagem da Grã-Bretanha no Exterior.
"Se a história se tornar ?uma semana de loucura de verão?, isso irá embora e as pessoas seguirão adiante," afirmou Woolfall, executivo da empresa de relações públicas Porter Novelli.
"Mas, se isso se arrastar, ou pior, se parecer que há uma incapacidade genuína de contê-lo, então isso de fato começa a mudar as percepções," disse ele, acrescentando que o perigo se encontra nas preocupações cada vez maiores com segurança e se o país tem policiais suficientes.
O Consórcio de Varejistas Britânicos, entidade que representa 90% das lojas, informou que os tumultos enviaram uma "mensagem aterradora" à população do país e no Exterior. "Isso afastará pessoas de outras partes do Reino Unido e do Exterior de Londres no médio prazo," disse um porta-voz da entidade.
Qualquer declínio nos gastos dos turistas atingirá duramente os varejistas britânicos em um momento de baixa confiança dos consumidores e cortes de gastos públicos. A economia da Grã-Bretanha cresceu pouco no segundo trimestre depois de seis meses de estagnação.