Tribuna do Leitor

DESATRAVANCAR SEM DESMATAR!


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Permitam-me questionar somente hoje, passados três dias da publicação do artigo dominical do empresário Ricardo Coube ao JC, "Poluição da miséria vs. Desenvolvimento". Tinha certeza de que o texto teria repercussão nos pronunciamentos de alguns de nossos vereadores. Juntando o que li e ouvi, rebato a ambos com algo bem simples.

Pelo que percebo, estamos às portas de contatos freqüentes, tentativas de indústrias desesperadas por espaço físico para implantar suas empresas por aqui, procura avassaladora e uma lei de defesa de manutenção do que nos resta de cerrado está a impedir, atravancar o dito progresso. Por mais que esforce a vista por todos os lados não consigo vislumbrar essas indústrias desejosas de se instalar por aqui e se estiver escrevendo besteira, peço a citação dos seus nomes e o que desejam. Cada caso é um caso, sigo esse lema e não costumo me decepcionar. O que não sigo é o lema proposto por alguns, o de que a antecipação é a alma do negócio. Por que deveríamos antecipar algo se a demanda não existe? Prudência, talvez, seja o mais recomendado. Apressado como cru, afirmava um lema pregado pelos mais velhos, que alguns de nossos jovens costumam não dar a devida importância.

Quero ser convencido do contrário e explico meus motivos. Nosso cerrado é palco de atrocidades constantes e da voracidade de "gregos e troianos", sendo poucos os realmente motivados a sustentar sua defesa. Percorro constantemente nossos distritos industriais e observo vazios urbanos ainda não preenchidos. Não seriam eles suficientes para preencher as necessidades atuais? Temos também outros imensos vazios urbanos. Não leio nada sobre algo que possa ser feito em forma de contrapartida pelos tais alavancadores do dito progresso, nos casos de cessão ou permissão de uso dessas áreas ambientalmente preservadas. Nada foi ou é pensado nesse sentido?

Temo pela mudança da legislação e acredito que não seria de bom grado o setor da indústria ter algum tipo de atrelamento com o da especulação imobiliária, também com o mesmo intuito junto a abrandamento dessa lei. Prefiro uma melhor discussão do assunto e que as cartas sejam colocadas na mesa, uma a uma, na medida em que forem distribuídas. Antecipar o lance do jogo sem estar devidamente cacifado é bom só numa mesa de truco.

Henrique Perazzi de Aquino

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