Após um ano de interrupção do convênio entre a CFPL e a Caixa Econômica Federal (CEF), as contas de consumo de energia elétrica poderão novamente ser pagas em casas lotéricas. A medida passa a vigorar a partir da próxima segunda-feira e deve normalizar o atendimento aos usuários, que reclamavam das filas nos estabelecimentos credenciados pelo "CPFL Total", programa criado pela concessionária em substituição ao serviço anteriormente prestado pelas lotéricas.
A informação foi divulgada na tarde de ontem pelo gerente regional da Caixa em Bauru, Nelson Antonio Calsavara. De acordo com ele, negociações para a retomada da parceria foram conduzidas pela superintendência do banco em Campinas, onde se localiza a sede da CPFL.
"Na verdade, em momento nenhum a Caixa desistiu das negociações, que estão se desenrolando desde quando o contrato não foi renovado. E o apelo da população e do próprio Ministério Público contribuiu muito para que este acordo pudesse ser firmado", esclarece.
O convênio entre a Caixa e a CPFL foi encerrado em 18 de agosto do ano passado, por iniciativa da empresa de energia. Na época, o Sindicato das Casas Lotéricas, Bingos, Jogos Eletrônicos, Locadoras e Empresas Comissionárias e Consignatárias do Estado de São Paulo (Sincoesp) chegou a afirmar que um dos motivos para a interrupção teria sido o valor da tarifa pago pela CPFL ao estabelecimento prestador do serviço. A quantia destinada às lotéricas, de R$ 0,38 por cada conta de energia, teria passado para R$ 0,20 com a parceria firmada com mercados, farmácias e padarias vinculadas ao "CPFL Total".
Mas o gerente de relacionamentos da CPFL, Marney Tadeu Antunes, rebate esta informação. "Nosso objetivo era ampliar nosso alcance nos bairros e oferecer outros serviços que não apenas a arrecadação de contas. Mas percebemos que os clientes estavam enfrentando filas, então decidimos retomar o contrato com a Caixa", reconhece.
Pouco antes do fim do convênio, a CPFL estabeleceu uma rede própria para o pagamento das contas de seus clientes, o programa "CPFL Total". Além da quitação da fatura de energia elétrica, os postos autorizados passaram a oferecer serviços como emissão de segunda via de conta, pedido de religação e atualização cadastral, entre outros.
Em Bauru, foram credenciados 62 pontos, mas o medo de assaltos e as reclamações frequentes de usuários fizeram com que os comerciantes desistissem da parceria. Em seis meses, o número caiu para 36 unidades. Em março deste ano, restavam apenas 32 estabelecimentos, uma redução de 48%.
"Havia a preocupação com a segurança, mas a aglomeração de pessoas era a principal reclamação dos comerciantes, assim como dos usuários. Agora, com as lotéricas voltando a receber contas, os postos de atendimento do CPFL Total serão mantidos e poderão trabalhar com maior tranqüilidade", aponta o gerente de relacionamentos.
As instituições bancárias, com exceção do Itaú e o Bradesco, também continuam recebendo normalmente as contas de energia. Em Bauru, existem 25 estabelecimentos lotéricos vinculadas à Caixa e que voltam a realizar o serviço a partir de segunda-feira. Na região da superintendência do banco, que abrange 95 municípios da região, são 177 lotéricas.
Expansão
A partir de novembro até dezembro do ano que vem, a Caixa Econômica Federal (CEF) irá ampliar sua rede de atendimento em Bauru e região. Serão mais quatro agências na cidade e outras duas em Dois Córregos e Cerqueira César.
A primeira delas será inaugurada em novembro na Vila Falcão. Em fevereiro de 2012, entra em funcionamento uma unidade no Jardim Redentor e, até maio, outra no Parque Vista Alegre. Uma nova agência na avenida Getúlio Vargas, que passará a abrigar o prédio da superintendência, será aberta em dezembro do mesmo ano. As unidades de Dois Córregos e Cerqueira César serão inauguradas em março de 2012.
Caixa libera R$ 460 milhões em
crédito habitacional no 1º semestre
A Caixa Econômica Federal liberou, na região de Bauru, R$ 460,6 milhões em financiamentos habitacionais no primeiro semestre de 2011, num total de 8.837 contratos. O valor é 4,7% superior ao volume utilizado no mesmo período do ano passado e representa 1,33% do total de créditos imobiliários liberados pelo banco neste ano em todo o País.
Somente em Bauru, foram liberados 250 milhões para 2,8 mil habitações. Para o gerente regional da Caixa em Bauru, Nelson Antonio Calsavara, uma das explicações para o aumento foi a redução na burocracia para realizar o financiamento, serviço que passou a ser oferecido dentro das próprias imobiliárias credenciadas, que se transformaram em correspondentes negociais. "Hoje, o acesso ao financiamento está bastante facilitado, porque as pessoas não precisam mais ir a uma agência da Caixa. A imobiliária vende o imóvel e já faz o financiamento", detalha.
Em Bauru, existem hoje cerca de 50 imobiliárias credenciadas pela Caixa e a intenção é que este número possa ser ampliado. O banco também planeja, sem divulgar prazo, criar um programa para que o usuário possa realizar o financiamento sem sair de casa, através da Internet.
Além das facilidades para que os financiamentos possam se concretizar, Calsavara destaca que os subsídios do governo também foram fundamentais para a ampliação do acesso ao crédito. Por meio do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), a Caixa liberou R$ 682 milhões para a construção de 11.713 moradias na região desde que a iniciativa foi lançada.
Somente em Bauru, foram emprestados R$ 250 milhões em 3.504 contratos neste período. Na segunda fase do programa na região, já foram desembolsados R$ 316 milhões para que 4.543 moradias sejam construídas, sendo que R$ 70 milhões referem-se a 732 contratos firmados em Bauru.