Articulistas

O maior dos vândalos

Marcondes Serotini Filho
| Tempo de leitura: 3 min

Vandalismo é um termo execrável, pois define uma atitude covarde, feita no momento onde não se é possível proibir, nem coibir. É ato dos maldosos, que invade privacidades, com oportunismo exemplar, para causar apenas malefício, sem provocar nenhum entendimento ou ação de causa e efeito. A praça pública de uma cidade turística deve abrigar banheiros decentes, o que causa sempre uma ótima impressão nos visitantes. Uma rodoviária ou posto de beira de estrada com banheiros dedetizados e asseados nos chama para um eventual retorno. Escolas onde menores estudam e fazem seus futuros são lugares sagrados de formação de indivíduos, verdadeiros templos.

Somente uma mente despreparada e manipulada pode desferir golpes de barra de ferro num vaso sanitário de um banheiro público da sua própria cidade. Alguém em sã consciência e dono de suas ações não consegue dormir após praticar um despautério destes, se não tivesse sido movido pela "força gerada por um grupo", estando sob efeito de drogas ou agindo para adquiri-las, ou se não possuir um defeito de personalidade crasso, que beira à psicopatologia. O assassino de Realengo, que com uma arma matou 13 - incluindo ele próprio ?, provado está se tratar de um doente mental da mais alta periculosidade, ficando o bullying sofrido na escola em segundo plano diante das mensagens deixadas por ele no computador. Aos malucos, todo o tratamento que o mercado deva oferecer, público ou privado, para que tais eventos não se repitam e aos canalhas, que se perfazem demolindo o patrimônio público e privado, as barras da justiça. Mas como conceber tais atitudes. Ao nos aprofundar na questão, vemos que a especulação imobiliária é vândala também, ao invadir rios, mangues, morros e orlas marítimas, que se vingam apenas querendo ocupar seu espaço. O vândalo do dinheiro público é o político malfeitor, que enriquece dilapidando o erário construído com o suor do povo trabalhador. O ser humano tem grande poder devastador e quando tal poder se traveste de fundamentalismos religiosos, o efeito é de uma bomba relógio e de nitrogênio. Nos Paquistões e Afeganistões, não é dado à sua população a chance de estudar e de entender as possibilidades existentes de viver e sobreviver, como acontece nas sociedades democráticas. Crianças recebem fuzis antes dos 10 anos de idade e aprendem a detestar o Satã de plantão, que pode ser a França, E.U.A. ou o pastor da igreja do outro lado da rua. Azeitadas estas relações com petróleo, islamismo, anti-semitismo e imperialismo capitalista, ninguém é dono de ninguém. Surge então Ossama Bin Laden em 2001, que desestrutura as hostes americanas com um atentado histórico, matando 3.000 pessoas e abrindo uma ferida tal e qual o Vietnam e sua guerra fizeram com o inconsciente coletivo daquele povo. Uma atitude covarde, digna de um vandalismo que aqui recebe o nome de terrorismo. Dez anos depois, Osama é assassinado por Obama, sob as vistas grossas da opinião pública quanto aos rigores de crueldade no ato.

Não parece que este este sumiço em Bin Laden vá representar um termo nas ações terroristas das facções extremistas da qual ele era líder. Ao se prender um traficante no Rio de Janeiro, aparecem uma dúzia deles, clones da contravenção que se multiplicam de acordo com as necessidades. Outro Osama Bin Laden já deve estar urdindo novos ataques terroristas. O cachorro do mundo está correndo atrás de seu próprio rabo, logo depois de cair da mudança, caçando como gato: sozinho, perdido numa selva sem fim, digna de uma época de cachorro-louco.

O autor, Marcondes Serotini Filho, é ortodontista e cronista

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