Hoje, no meu viver, de cabelos brancos e tanta andança; Comecei a relembrar, o tempo que agora... já longe vai; Como em sonho me vi no passado, jovem, ainda criança; Vivendo tão feliz junto ao meu querido, terno e doce Pai; Uma saudosa lágrima brotou de forma cálida no coração; Subiu até a janela dos olhos... Quente, morna, tão ligeira; Rolando pelo rosto meu, hoje já marcado pela desilusão; E trazendo eu dentro do peito, esta saudade matadeira; Enxuguei a lágrima, de forma suave e até a acariciei; Por saber que era mais uma lembrança de quem amei.
Quem um dia partiu, para a eternidade, em triste adeus; Para fazer sua moradia, no céu bem juntinho a Deus; Pai, tu me ensinas-te a ser honesto, honrado, trabalhador; Me deste todo ensinamento para eu na vida poder viver
Me mostrou que mesmo sendo pobre, podemos ter valor; Mostrou o caminho para eu seguir, e um dia em paz morrer.
Pai, eu talvez, não soube, retribuir tua ternura, teu amor; Pois somente, o tempo, pode nos mostrar esta verdade; O quanto fomos amados... é por isto que hoje sinto saudade; Sinto a falta de tua presença, de teu abraço, de teu calor
Pai, quem me dera eu hoje pudesse de novo te abraçar; Pudesse eu teu rosto, cansado e sofrido vir com amor beijar.
Pudesse minhas amarguras, em teu coração hoje depositar; E de novo me deitar em teu colo... ser feliz... e descansar
Mas tenho que viver só, com esta saudade, e tua lembrança; Mas é certo que estará me esperando, como quando criança; Para novamente feliz, eu em teus braços de novo me aninhar
E saber que ninguém, a não ser você, Pai, saberá sempre me amar...
Homenagem extensiva a todos os Pais
Ary Bueno