Não há quem não se renda aos encantos das flores, especialmente quando elas são responsáveis por colorir e dar vida a paisagens que, sem a presença delas, costumam ser acinzentadas, grosseiras, abafadas pelo intenso tráfego de veículos e de pessoas.
E para ter flores durante os mais diversos períodos do ano é preciso, primeiramente, cultivá-las.
"Contudo, não basta colocar a semente na terra e deixar que ela cresça e apareça sozinha. Para garantir que ela se torne uma árvore bela, alguns cuidados são necessários", explica Teresa Cristina Aragão Domingos Mastrangeli, bióloga e professora de jardinagem.
O primeiro deles é saber a época exata de plantar. No caso das plantas que florescem no inverno, como ipês e patas-de-vaca, por exemplo, o ideal é fazer o plantio após a frutificação, logo que as sementes estiverem prontas para colher.
Outra dica interessante é dar choque térmico nas sementes mais duras, comuns às árvores, ou aladas, como a do ipê, por exemplo.
"Deixe a semente na geladeira por duas horas. Depois, retire e dê um banho de água quente nelas. Este processo faz com que a casca da semente se rompa mais facilmente, liberando o broto. É o que chamamos de aceleração de dormência", explica Teresa.
A terra do plantio deve ser uma mistura de terra vegetal, comum e areia, de modo que fique um composto bem leve. Além disso, o orifício feito na terra para colocar a semente não pode ser muito profundo: deve ter, no máximo, três vezes a volta da semente.
"A planta só começa a fazer a fotossíntese quando os brotinhos despontam. Antes disso, ela se alimenta apenas dos nutrientes da semente. Se orifício feito na terra for muito profundo, o alimento do broto vai acabar antes mesmo dela chegar à superfície", explica a bióloga.
Para cada vaso, deve-se plantar de duas a três sementes. Depois de cobri-las com terra, umedeça bem.
Outra técnica interessante é a estufa artificial, que serve para manter a planta em ambiente quente e úmido, facilitando seu broto. Para isso, coloque sobre o vaso um saco transparente, amarre-o com elástico e mantenha desta forma por pelo menos sete dias após o plantio. Lembrando que a terra deve permanecer sempre bastante úmida.
"Essas dicas valem, principalmente, para o ipê branco. Mas, com certeza, são muito úteis para todas as espécies", destaca Teresa.
Tapete de folhas e flores
No dicionário, o inverno é definido como a estação mais fria do ano, situada entre a primavera e o outono. Na prática, a definição teórica é perfeitamente dispensável, afinal, logo que o inverno se anuncia, as mudanças por ele causadas são facilmente perceptíveis.
As temperaturas caem, a incidência do sol é menor, raramente chove, os dias assumem um tom acinzentado e se tornam mais curtos que as noites.
Como consequência, cachecóis, botas, luvas e agasalhos, além de um certo ar de preguiça, é claro, ganham as ruas.
E se as pessoas precisam se proteger para superar a queda da temperatura, o mesmo acontece com as plantas. Só que, neste caso, ao invés de adotarem agasalhos, elas dispensam suas folhas.
"Este processo se chama caducifolia e é um mecanismo de adaptação das árvores à mudança de clima", define Osmar Cavassan, doutor em ecologia pelo Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.
A caducifolia, embora não aconteça com todas as espécies, é bastante natural. Ela serve para poupar energia, já que, nesta época, o tempo para fazer fotossíntese é menor e período de estiagem maior.
"A principal função das folhas é a fotossíntese. Portanto, se este período não é propício para isso, manter as folhas significa um gasto inútil de energia", justifica Cavassan.
Já a justificativa para a queda das flores, muitas vezes ainda vistosas, é bem diferente e nada tem a ver com o processo de caducifolia.
Isso porque, diferentemente das folhas, as flores não trabalham no processo de fotossíntese. Sua principal função é, portanto, atrair insetos para a reprodução da espécie.
"As flores, geralmente, são muito coloridas e atraentes para cumprir seu objetivo, que é despertar a atenção dos insetos responsáveis por fazer a reprodução da espécie. Quando o inseto poliniza a flor, ela cumpriu sua função e, portanto, é descartada pela árvore", explica a bióloga Teresa Cristina Aragão Domingos Mastrangeli.
Nos casos de espécies de plantas que a flor não tem a exuberância necessária, as folhas cumprem essa função, modificando-se de modo a ficarem parecidas com uma flor, como é o caso da Primavera, por exemplo.
Elas estão confusas
Entre julho e agosto, cachos de flores rosas e lilases tingem o céu, ostentadas pela copa de ipês roxos. Elas saem de cena quando o inverno atinge seu ápice, dando lugar às flores do ipê amarelo, que surgem entre agosto e setembro. Depois, quando a época mais fria do ano caminha para seu fim, rumo à primavera, é a vez dos ipês brancos florirem.
Teoricamente, esta é a ordem natural da florada dos ipês. Contudo, a realidade é um pouco diferente. Basta sair pelas ruas para observar que, mesmo o calendário acusando que ainda estamos no início de agosto, mês dos ipês amarelos, é possível encontrar espécies de ipês com as três cores diferentes, esbanjando vitalidade pelas ruas da cidade.
"Isso acontece porque aqui no Brasil as estações não são tão bem definidas quanto em alguns países do hemisfério Norte, por exemplo. Mesmo no inverno, temos dias de calor intenso e também de frio. Como as plantas são seres sensitivos, elas acabam se confundindo com o clima e florescendo fora de época", explica Teresa Cristina Aragão Domingos Mastrangeli, bióloga e professora de jardinagem.
Um dos casos fáceis de observar é o do ipê branco que, neste ano, já floresceu, sendo que, o correto seria que ele desabrochasse em setembro, mais próximo à primavera.
E como é de se prever, essa confusão que ocorre cada vez com mais frequência entre as plantas pode ter graves conseqüências. Entre elas, a ameaça à sobrevivência da espécie.
"Se a planta floresce fora de época, pode ser que não encontre o inseto responsável por sua polinização e, com isso, murche sem se reproduzir", alerta Teresa.
Ipê branco
Nome científico: Tabebuia roseo-alba
Origem: Brasil
Altura: De 7 a 15 metros
Floração: De agosto a outubro
Propagação: Por sementes, na primavera
Características: É uma árvore de beleza exuberante, tanto por suas flores relativamente grandes e albas, quanto por sua folhagem de coloração verde-azulada. Além de suas qualidades ornamentais, sua copa alongada e seu porte médio fazem com que seja muito utilizada no paisagismo de ruas, parques, bosques ou jardins residenciais.
Pata de vaca
Nome científico: Bauhinia variegata
Origem: Índia
Altura: Até 10 metros
Floração: julho a agosto.
Propagação: Por sementes
Características: Produz flores brancas, róseas, roxo-pálidas e avermelhadas. A árvore não produz muita sombra, além disso, em condições de muito frio costuma perder suas folhas. Geralmente são mais largas do que altas e são indicadas para plantio em jardins, calçadas estreitas e com fiação elétrica.
Manacá de cheiro
Nome científico: Brunfelsia uniflora
Origem: Sul do Brasil
Altura: Até 3 metros
Floração: Meados do inverno
Propagação: Por sementes, ramos e mudas que nascem ao redor da planta-mãe
Características: A florada deste arbusto, além de perfumada, muda de coloração com o passar do tempo. Suas flores brotam azul-violeta e vão ficando esbranquiçadas com o passar dos dias. O manacá-de-cheiro aprecia o frio e é muito cultivado em forma de renque ou cerca viva. Além disso, aprecia sol pleno e solo rico em matéria orgânica.
Ipê amarelo
Nome científico: Tabebuia Alba
Origem: Brasil
Altura: Até 30 metros
Floração: agosto e setembro
Propagação: Por sementes, na primavera
Características: É a árvore brasileira mais conhecida e também a mais cultivada. É, na verdade, um complexo de nove ou dez espécies com características mais ou menos semelhantes. Existe uma crença popular de que quando o ipê amarelo floresce não vão ocorrer mais geadas. Infelizmente, a espécie é considerada vulnerável quanto à ameaça de extinção.
Azaleia
Nome científico: Rhododendron x simsii
Origem: China
Altura: Até 2 metros
Floração: Durante todo o inverno
Propagação: Por ramos
Características: É um arbusto de folhas ásperas e que produz uma grande quantidade de flores que podem ser brancas, rosas ou vermelhas. Embora seja típica de inverno, é comum encontrar azaleia durante todo o ano. Contudo, são plantas híbridas, mescladas com outras espécies para fins comerciais. A azaleia deve ser podada somente depois do término da florada.
Eritrina-candelabro
Nome científico: Erytrina speciosa
Origem: Brasil
Altura: Até 5 metros
Floração: Durante todo o inverno
Propagação: Por sementes ou ramos
Características: Nativa do Brasil, a Eritrina-candelabro apresenta crescimento rápido, adapta-se a lugares muito úmidos e produz grande quantidade de sementes. É no inverno, com a planta totalmente desprovida de folhagem, que floresce, atraindo grande quantidade de beija-flores e cambacicas.
Escova-de-garrafa
Nome científico: Callistemon vitaminalis
Origem: Austrália
Altura: Até 7 metros
Floração: Durante todo o inverno
Propagação: Por sementes
Características: Por causa da leveza e do colorido de sua copa, com seus ramos arqueados, é muito usada paisagisticamente em jardins e parques. Suas inflorescências deram origem ao nome popular, por parecerem uma escova.
Bananeirinha
Nome científico: Heliconia angusta
Origem: Brasil
Altura: Até 1,20 metros
Floração: Durante todo o inverno
Propagação: Por divisão de touceira
Características: Cultivada na forma de renque, isolada ou em grupos, a bananeirinha é uma herbácea perene, entouceirada e ereta. Suas folhas são em forma de lâminas, estreitas, longas e recurvadas. Sua inflorescência é formada por folhas modificadas vermelho-alaranjadas com flores brancas, que surgem no inverno.
Guapuruvu
Nome científico: Schizolobium parahyba
Origem: Brasil
Altura: Até 30 metros de altura
Floração: Do inverno ate a primavera
Propagação: Por sementes, no outono.
Características: Tem inflorescências amarelas, espigadas, longas e eretas. Muito imponente, a espécie costuma ser cultivada em campos abertos, já que seus galhos se quebram facilmente em casos de ventanias e temporais, por conta de sua madeira mole.
Flor-de-são-joão
Nome científico: Pyrostegia venusta
Origem: Brasil
Altura: Até 10 metros
Floração: Do inverno a primavera
Propagação: Por sementes ou ramos
Características: Originária de quase todo o Brasil, essa trepadeira cresce vigorosamente tanto em clima tropical como subtropical. Além disso, no inverno gera um espetáculo de flores alaranjadas, brilhantes, tubulares e longas. Muito ramificada, a flor-de-são-joão apresenta crescimento denso e, por isso, costuma revestir cercas vivas, alambrados e caramanchões.