La Paz - Indígenas bolivianos iniciaram ontem uma marcha de centenas de quilômetros, enquanto organizações civis de duas cidades convocavam greves e bloqueios, dando início a uma nova fase de tensão social que o governo diz ter motivação política.
Os três protestos, em regiões muito distantes entre si, têm em comum o tom de crítica ao presidente esquerdista Evo Morales, que enfrenta também uma dura campanha da oposição conservadora por causa de uma inédita eleição de juízes pelo voto popular, marcada para outubro.
"Sem dúvida são três problemas diferentes, mas não são isolados, porque a razão fundamental (...) é que o governo tem uma gestão muito deficiente na atenção precoce aos conflitos", disse o analista Franklin Pareja, professor da universidade estatal de La Paz.
Ele acrescentou que "essas mobilizações ocorrem de forma simultânea para serem mais efetivas na hora de pressionar e romper a intransigência do governo", que no começo do ano enfrentou uma onda de protestos contra um reajuste dos combustíveis, afinal cancelado.
Mas Morales disse que a recusa dos setores mobilizados em negociar com o governo pode indicar uma tentativa de desestabilização política. "O diálogo sempre está aberto, lamento muito que não participem do diálogo. Posso entender que é uma ação política", disse o presidente a jornalistas.
O protesto mais ruidoso foi realizado por centenas de indígenas do departamento amazônico de Beni, na fronteira com Rondônia.