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Trânsito perigoso em Bauru

Rafael Moía Filho
| Tempo de leitura: 3 min

Aprendi a dirigir aos dezoito anos, quando o país ainda vivia sob a égide de uma ditadura militar. Naquela época, no Brasil, as leis de trân-sito eram cumpridas à risca. Para começar, todo cidadão que quisesse dirigir um veículo ou motocicleta era obrigado a tirar uma CNH (Carteira Nacional de Habilitação). E não por telefone ou comprada, como é atualmente. O motorista tinha de ir pessoalmente fazer os testes.

Havia menos impunidade, menos tolerância com coisas erradas, o motorista, até pelo regime vigente, tinha medo de cometer infrações, tinham, na verdade, respeito pelo país, pelo próximo. Assim penso eu, pela minha ex-periência em São Paulo. Vejo diariamente no trânsito de Bauru pessoas cometendo barbaridades que quase sempre levam perigo ao motorista infrator e a terceiros, que normalmente pagam com a vida ou seu patrimônio. Numa só viagem, entre dois extremos da cidade, notamos pessoas andando na contramão como se aquilo fosse normal, pois o jeitinho brasileiro de forma ignóbil é realizado na certeza da impunidade latente que assola nosso país.

No mesmo trajeto percebemos pessoas falando ao celular, crianças sem cinto de se-gurança e não estou falando de peruas escolares não, mas os próprios (ir) responsáveis pelas crianças. Pessoas sem habilitação ou que nunca a tiveram e sempre dirigiram sem se preocupar com absolutamente nada.

Tudo isso extensivo aos que pilotam suas motos velozes cruzando semáforos vermelhos cometendo inúmeras atrocidades no nosso trânsito, sejam entregadores ou não.

Outro dia, ao sair de minha casa, num es-paço de duas quadras, apenas duzentos metros, um motorista cometeu três irregularidades. Tentou entrar na contramão na esquina, depois dirigiu na contramão na rua em que estava quase ocasionando um grave acidente e, por fim, fez um contorno proibido e sumiu na multidão de veículos sem fiscalização nas ruas de Bagdá, desculpe de Bauru. Entre tantas ir-regularidades, a falta de uso da seta nos leva a pensar que esta peça é realmente obsoleta em nossa cidade. Mas a campeã é a falta de respeito absoluto com a placa de Pare ante uma rua ou avenida preferencial.

A placa de Pare é como um semáforo no vermelho. Nos locais onde ela está instalada, deve-se parar. E ponto. Conforme o artigo 208 do Código de Trânsito Brasileiro de Trânsito, "avançar o sinal de parada obrigatória: infração gravíssima". Em miúdos: sete pontos na carteira e multa de R$ 191,74. Mas isso é desconhecido de boa parte dos nossos motoristas em Bauru. Entram sem olhar para nenhum dos lados ou quando a rua ou avenida tem sentido único olham para o lado oposto, como já flagrei várias vezes nestes quinze anos em Bauru.

Inexiste na maioria dos motoristas cordialidade, o ato esperar um pedestre atravessar na faixa, como manda o Código de Trânsito, parar para outro veículo entrar ou sair de casa, enfim, falta paciência, tolerância e uma grande dose de educação para guiar.

A falta de educação no trânsito aliada à impunidade e ausência completa de fiscalização (não vamos confundir com multadores coloridos) transforma nosso cotidiano nas ruas um verdadeiro inferno. A maioria absoluta dos acidentes poderiam ser evitadas se houvesse investimento em educação desde a escola. Pare para pensar sobre isso!

O autor, Rafael Moía Filho, é diretor da Bauru Transparente - Batra - e colaborador de Opinião

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