Cultura

?Dhiacanga? para Barretos

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 4 min

Nas cordas da viola, a melodia do Hino Nacional. A homenagem foi criada por um músico nascido em Iacanga, que, para nunca se esquecer de sua origem, adotou o nome artístico de Sandro Dhiacanga. Preparando seu segundo CD, com lançamento previsto para o início do ano que vem, o violeiro se apresenta nos 10 dias da Festa do Peão de Barretos, que vai de hoje ao dia 28 deste mês.

Sandro Dhiacanga é autodidata. Conta que aprendeu a tocar depois de ouvir os discos de clássicos sertanejos de seu pai, ainda na vitrola. "Com 9 anos, ganhei um violão e no primeiro dia de aula toquei a música Asa Branca, com uma corda só. O professor percebeu que tinha um pouco de aptidão e vocação. Fiz pouquíssimas aulas, porque queria mais andar de bicicleta e jogar futebol. Depois, ouvindo os discos do meu pai, fui tirando as músicas e estou até hoje aprendendo", revela.

Além de Barretos, onde já se apresenta há oito anos consecutivos, Dhiacanga já tocou em grandes eventos esportivos de repercussão nacional, como nos campeonatos de futebol Paulista e Brasileiro, na Stock Car, principal competição automobilística do País, e no desafio internacional de motocicleta Motorcycle Free Style.

Sempre com a apresentação que se tornou sua marca artística: a interpretação, na viola, do Hino Nacional Brasileiro e o hino de outros países como Austrália, Canadá, México, Itália, França e Estados Unidos.

Os muitos convites que recebeu para apresentar o número, desde o primeiro, em Ribeirão Preto, ocorrem, em sua opinião, porque a viola consegue mexer com a emoção das pessoas de uma maneira muito específica.

"Eu penso que essa apresentação, além de ser o Hino Nacional, que já é uma música magnífica, executado na viola, com a sonoridade que ela tem e o arranjo que criamos, realmente mexe com a emoção das pessoas. O diferencial não é só como artista, mas uma questão de patriotismo e brasilidade, porque a viola tem origem portuguesa, mas está em todos os Estados brasileiros, cada violeiro com seu estilo", opina.

Desde o começo da carreira, quando tocava apenas em churrascos da família e rodas de amigos, uma coisa não mudou na vida de Sandro Dhiacanga: o amor pela música. "A música está comigo desde que nasci. Minha mãe costuma falar isso. Com o passar do tempo, a gente foi sendo descoberto, mas como diz Milton Nascimento, ?O artista tem que ir onde o povo está?. Tocar viola é um previlégio, como qualquer instrumento, mas a sonoridade da viola e a emoção que ela nos transmite torna tudo peculiar, até pelo próprio apoio dela no peito, é uma coisa fantástica. Só quem toca sabe", garante.

O repertório de Dhiacanga tem cerca de 140 composições. Seu primeiro CD, "Violas e Canções", foi lançado em 2009 e o violeiro trabalha agora na gravação do segundo trabalho, que deve também ser lançado em DVD. "Acredito que tudo é fruto do trabalho e o artista tem que viver assim, sempre pensando no amanhã".

O primeiro CD tem 14 composições próprias e regravações, como "Mercedita", com o cantor Amarai (que fazia dupla com Belmont) e Sócrates (ex-jogador de futebol), que cantou uma música composta por Sandro, em homenagem a seus pais. Além de viola e violão, Dhiacanga também toca gaita e apresenta em seus shows músicas de Elvis Presley, além de clássicos country.

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Pacote para ir à Festa do Peão é mais caro que viagem à Europa


Virar peão por um final de semana prolongado em Barretos pode sair mais caro do que conhecer a Europa. Pacotes hoteleiros com cinco diárias para a Festa do Peão de Boiadeiro chegam a custar até R$ 6 mil. Com demanda insuficiente na rede hoteleira - o total de leitos não chega a 900 -, o setor vê o período da festa como uma espécie de "Natal". O evento começa hoje e termina no dia 28.

Com a alta demanda - a festa prevê ao menos 900 mil pessoas -, os preços sobem, e, no caso do Barretos Country, tipicamente sertanejo, o pacote (quatro diárias) é vendido a R$ 3.800. No Kehdi Plaza, no Centro, um pacote para duas pessoas nas suítes nos últimos cinco dias era vendido ontem a R$ 6 mil. Para os cinco primeiros dias, a R$ 5 mil. Nos preços não estão incluídos gastos com deslocamento (combustível e pedágio) e ingressos.

Duas agências de viagens consultadas pela reportagem venderam pacotes para uma pessoa para Paris (hospedagem e aéreo) por até R$ 2.556,94. Para casal, o preço chega a R$ 5.113,88.

Carlos Frederico Marques, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, defende os preços dos hotéis. Para ele, a baixa capacidade de leitos faz com que os preços subam, principalmente em Barretos e no entorno, como Colina, Bebedouro e Olímpia. Outra opção de hospedagem é alugar uma das dezenas de casas de barretenses, que deixam os imóveis para os turistas, ou o camping do Parque do Peão, cujo preço (quinta a domingo) chega a R$ 260 por pessoa, além de R$ 100 por carro.

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