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Nuvem de fumaça atrapalha moradores

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

A combinação entre um grande incêndio, ventos fortes, altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar fez com que uma gigantesca nuvem baixa de fumaça se alastrasse sobre Bauru na tarde de ontem. Além de bairros próximos às penitenciárias 1 e 2 - onde as chamas tiveram origem -, até mesmo a região central da cidade foi afetada. A situação se tornou ainda pior quando, no período da tarde, outro incêndio de menor proporção atingiu a região do Vale do Igapó.

Os transtornos provocados a milhares de moradores se transformaram em reclamação geral, que dominaram inclusive as redes sociais na Internet. A cor acinzentada no céu, em alguns pontos da cidade, levaram algumas pessoas a acreditar que choveria durante a tarde. De tão densa, a nuvem que se formou às margens da rodovia Marechal Rondon, próximo aos presídios, chegou a detectada pela estação de aferição do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru.

"Realmente, era uma nuvem enorme e preta, que chegou a bloquear a luz do sol", conta a aposentada Dulce Gondo, 60 anos, moradora do Jardim Eldorado. "Por sorte, não tenho nenhum problema respiratório, mas fiquei com o nariz e a garganta ardendo por causa de tanta fumaça. É inaceitável pensar que um sujeito possa ser tão irresponsável e provocar todo este transtorno", contesta.

Sua vizinha, a dona de casa Meire Rodrigues, 49 anos, relata que chegou a sentir-se mal por conta do forte odor provocado pela queimada. "Tive de fechar a casa toda e ligar o ventilador. Mas, mesmo assim, o cheiro não passava. Hoje foi pior, mas todo dia tem queimada na cidade. É uma falta de consciência que não tem fim", reclama ela, que precisou lavar o quintal e a garagem no final da tarde para retirar a poeira e fuligem que tomou conta do bairro.

Também em razão da dispersão destas partículas, o açougueiro William Anderson Assis precisou providenciar uma faxina no estabelecimento em que trabalha, no Núcleo Gasparini. "Tive de limpar o chão e passar álcool em tudo, em cima do freezer e do balcão. Formou uma sujeira só", comenta ele, que tossia por causa do tempo seco tomado pela poluição.

Também moradora do Gasparini, Nathália Nunes Machado, 23 anos, levava seus três filhos, de 2 meses, 3 e 9 anos, para brincar no parque quando a fumaça chegou ao bairro, por volta das 13h. "Estava insuportável. Os olhos ardiam e até as crianças, que não entendiam muito bem o que estava acontecendo, reclamaram", comenta.

Ventania


De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, uma combinação de fatores transformou o incêndio próximo aos presídios em um grande transtorno para vários bairros da cidade, incluindo a região central. Um deles foi a ventania registrada no momento em que as chamas se alastravam.

"Os ventos, além de acelerarem o processo da queimada e aumentarem a proporção do incêndio, também ajudam a espalhar a fumaça mais rapidamente. A tendência seria que ela subisse e formasse uma coluna alta. Mas, com o vento, ela sobe até uma certa altura e se dispersa, descendo novamente em direção aos bairros", detalha. Por volta das 13h40, os ventos chegaram a uma velocidade de 46,2 quilômetros por hora, segundo o IPMet.

Além de dois incêndios em Bauru, também foram registradas grandes queimadas em Presidente Alves, Jaú e Ibitinga. Conforme Brito, estas partículas em suspensão na região também podem ter ?viajado? até Bauru, piorando ainda mais a qualidade do ar na cidade.

Outro fator é a estiagem associada à baixa umidade relativa do ar e às altas temperaturas, que deixam áreas de pasto ou mesmo plantações mais secas e, portanto, extremamente vulneráveis a incêndios. Ontem, os termômetros registraram máxima de 32,9 graus, com umidade do ar em 36%, índice fora dos níveis de atenção, mas ainda inadequado para a saúde humana, de acordo com parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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Frente fria traz chuva


Depois de um longo período de estiagem, a previsão era de chuva para hoje em Bauru. Mas no final da noite de ontem os bauruenses foram surpreendidos com uma leve precipitação, que já elevou a umidade relativa do ar para 65%. De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru, uma frente fria que se deslocava ontem pelo Paraná já provocava precipitações em Presidente Prudente e Assis, seguindo em direção a Ocauçu e Marília.

Novas ocorrências isoladas de chuva estão previstas para hoje. "Por causa desta frente, as temperaturas devem cair bastante", sinaliza o meteorologista do IPMet e presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet), José Carlos Figueiredo. Para hoje, as mínimas esperadas são de 18 graus. No domingo e segunda-feira não deve chover mais, mas o frio se torna mais intenso, com temperaturas entre 11 e 19 graus.

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Bombeiros receberam 50 chamados nesta sexta


No dia em que Bauru foi tomada por uma enorme nuvem de fumaça, o Centro de Operações do Corpo de Bombeiros recebeu cerca de 50 chamados para combater fogo em mato. Deste total, nove ocorrências foram atendidas pela corporação, incluindo os dois incêndios maiores, registrados nas imediações das penitenciárias 1 e 2 e no Vale do Igapó. O número, de acordo com o tenente Cláudio Augusto Antunes da Silva, refere-se aos telefonemas efetuados até as 18h.

"O volume de chamados foi além do normal, principalmente porque muita gente ligou por causa do incêndio ao lado dos presídios. Em dias anteriores, a média ficou em torno de 20 a 30 ligações. O problema é que o tempo está muito seco e, com o vento, qualquer pequeno foco tem possibilidade de se propagar muito rápido", observa o oficial.

Conforme o JC já divulgou, os inúmeros focos de incêndio que se formam pela cidade nesta época do ano sobrecarregam este atendimento específico do Corpo de Bombeiros, que conta com uma estrutura limitada. São apenas três viaturas, sendo um autotanque e dois autobomba para suprir toda a necessidade de Bauru e diversas cidades da região como Arealva, Avaí, Balbinos e Cabrália Paulista.

"Temos de estabelecer prioridades, atendendo os casos mais graves, como fizemos hoje (ontem). Quando uma viatura é liberada, a gente volta a entrar em contato com as pessoas que nos chamam para saber se ainda há necessidade da nossa presença mas, muitas vezes, o fogo já foi controlado pela própria população", esclarece.

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