Geral

Bauru ?ganha? mais de mil veículos/mês

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Sufoco. Essa é uma das principais sensações de se aventurar, no final do expediente ou nas primeiras horas do dia, a dirigir pelas principais ruas e avenidas da região central da cidade. Atravessar artérias como a Duque de Caxias, Rodrigues Alves ou o trecho central da Nações Unidas no rush, incluindo o "semipico" da volta do almoço", para quem ainda tem o privilégio de fazer a refeição em casa, faz com que o motorista chegue ao trabalho já estressado, antes mesmo de pegar no batente.

Lentidão após o semáforo abrir, inversão da ordem entre as faixas (quando existe a pintura), de ultrapassagem - a Duque, apesar de recentemente recapeada, é o maior exemplo de onde há um ?código? próprio, onde se ultrapassa pela direita e trafega-se a 20 km/h (onde o limite é 50 km/h) na esquerda -, ônibus atrapalhando carro, que corta motociclista, que irrita motorista, vice e versa.

Todo esse aperto no ir e vir durante um dia qualquer, em outros tempos poderia ser atribuído ao cotidiano dos paulistanos, que obviamente, até pelas dimensões da capital do Estado, enfrentam engarrafamento e estresse proporcionais à maior cidade da América Latina.

Contudo, a saturação das ruas e avenidas devido à sempre crescente quantidade de veículos, e consequente nervosismo de condutores e passageiros, há muito não são "privilégio" dos moradores da capital. Bauru, entre outras grandes cidades do Interior paulista, já está com a malha viária estagnada para a atual frota.

De um ano para cá, a quantidade de veículos motorizados - considerados, basicamente, automóveis, utilitários, motocicletas, ônibus, caminhões - subiu 7,2%, saltando do total de 197.523 automotores verificados em abril de 2010 para 211.823 no mesmo mês de 2011, conforme o levantamento mais recente da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Bauru.


Susto


Os números, que assustam, diferentemente do tráfego, não param por aí. Por ano, são mais de 14 mil novos veículos motorizados circulando nas mesmas ruas, numa média superior a 1,1 mil veículos emplacados por mês nas ruas e avenidas bauruenses. Descontados os autos de cidades vizinhas, de pessoas que trabalham ou estudam em Bauru, a frota local já ultrapassou, e muito, a condição de absorção de fluxo na cidade, observa o engenheiro de transportes Archimedes Raia Júnior.

Doutor pela Universidade de São Paulo, pesquisador e professor de Engenharia e Segurança de Tráfego da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), ele é um dos que não descartam, num futuro não tão distante, a adoção até mesmo de medidas mais drásticas para amenizar esse gargalo. Uma delas é o rodízio.

"É uma possibilidade. Em Bauru, mesmo com as recentes Nações Norte ou prolongamento (da duplicação) da Comendador José da Silva Martha, ainda há grandes afunilamentos, pela falta de continuidade, interligação, de nosso sistema viário", analisa.

____________________

Especialista ressalta interligação de vias


Assim como uma artéria entupida que eclode em derrame no corpo humano, as vias urbanas, ainda mais nos horários de pico, já não suportam mais tanto veículo. Facilidades em crediário, ausência de alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além do maior poder aquisitivo da população em geral incentiva quem antes não tinha a oportunidade de adquirir um carro, a trocar o ônibus pela individualidade e, obviamente, maior conforto do automóvel.

Queira ou não, ter um carro facilita, e muito, a vida. Entretanto, é necessário estrutura para abrigar esse crescimento - de poder aquisitivo e, respectivamente, frota. "Não vejo solução em curto prazo", decreta o engenheiro de tráfego Archimedes Raia Júnior. "O asfalto da Rodrigues é tão ruim, não há condições. Ela ainda desemboca na Pedro de Toledo, seguida pelo Mauá (viaduto semi-interditado que liga o Centro à Vila Falcão). Falta um plano de interligar as principais vias, que estão isoladas", observa.

Ao contrário de uma grande corrente que clama pela conclusão do viaduto inacabado, o engenheiro defende o prolongamento da avenida Nuno de Assis, que para ele, deveria desembocar na região da Vila Dutra, abreviando o contato entre essa área e a região central. "Sempre fui contra o viaduto atualmente inacabado", opina. "Falta interligar as vias principais", reitera.

Em recente artigo publicado no JC, o engenheiro ainda adianta que a cidade não dispõe de uma via de trânsito rápido, fundamental para áreas urbanas do porte de Bauru. "O sistema viário deve ser hierarquizado em quatro categorias: de trânsito rápido, arterial, coletora e local", diferencia o engenheiro.

Comentários

Comentários