Um homem foi encontrado morto na lagoa existente no bairro Quinta da Bela Olinda, em Bauru, na amanhã de ontem. O corpo, que estava parcialmente boiando, soma-se a uma triste estatística - que mais parece uma maldição - do local. De acordo com moradores do bairro, já são aproximadamente 100 mortes por afogamento.
O corpo de Alexandre Teodoro de Marco, 38 anos, foi avistado por volta das 8h30 por um homem que pescava na lagoa. O delegado Kleber Granja, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que assumiu o caso, a princípio chegou a suspeitar que se tratasse de um vítima de homicídio, considerando um disparo de arma de fogo registrado nas proximidades da lagoa, na última quinta-feira. Porém, após o exame preliminar da Polícia Científica, afirmou que dificilmente se trate de assassinato, já que não havia sinais visíveis de tiro ou perfurações de faca no corpo.
A vítima, que trajava apenas uma cueca, foi localizada com o pescoço quebrado e escoriações no nariz e na boca, o que, segundo os peritos que estiveram no local, são sinais comuns em pessoas que morrem por afogamento.
Ainda de acordo com os policiais, pelo estado em que foi encontrado, o corpo estava na água por, no máximo, 48 horas. A delegada plantonista Luciana Claro Rodrigues acompanhou a retirada do cadáver da lagoa.
Nas margens, a polícia encontrou um par de tênis, frascos de aguardente vazios e um cobertor. Na beira da lagoa, ainda foram localizados uma carteira feminina vazia e um boné. Entretanto, em meio a todos esses objetos, não havia quaisquer documentos que pudessem identificar a vítima.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) ainda sem identificação. Somente durante a tarde, um homem foi até o local e confirmou que a vítima se tratava de seu irmão Alexandre Teodoro de Marco.
Muitas mortes
Segundo informações de moradores, aproximadamente 100 pessoas já morreram afogadas na lagoa existente no bairro Quinta da Bela Olinda. A Polícia Militar (PM) confirmou que a região é muito procurada por pessoas que utilizam o local como área de lazer. A procura, no entanto, é mais comum no período do verão, segundo os policiais.
Com aproximadamente 60 mil metros quadrados de área, a lagoa da Quinta da Bela Olinda fica em uma área pública verde. Seu entorno, com cerca de 20 mil metros quadrados, deveria acolher uma praça ou um parque, conforme previsto no Plano Diretor.
Apesar de terem sido instaladas placas apontando o perigo do local, muitas dessas sinalizações já foram destruídas por vândalos, o que intensifica o perigo. O problema é tão gritante que, no passado, até o Ministério Público (MP) interferiu na questão, cobrando mais segurança.
Terreno ?pegajoso? e irregular
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, o alto índice de mortalidade na lagoa da Quinta da Bela Olinda pode ser explicado por duas características do local: o sedimento que compõe o fundo da lagoa e o terreno irregular.
"Ela é composta por um sedimento pegajoso. Assim, a pessoa pode ficar presa e se afogar. É como se fosse uma areia movediça", explica Brito.
Em relação ao declive do terreno, ele explica que, mesmo nas proximidades da margem, há grandes variações de profundidade. "A pessoa pode estar em um lugar que dá pé e, poucos metros a frente, encontrar um buraco enorme. Há alguns anos, foi feito um mapeamento que apontava locais com profundidade de mais de 7 metros", conta. Além disso, a lagoa tem uma grande quantidade de entulhos - arames farpados e até carros e motos - depositados, o que serve de armadilha para os banhistas.
"Além de muitos que fazem churrascos, já encontramos pessoas fazendo feijoada na beira da lagoa. Muitas acabam de comer e entram na água, o que pode ocasionar em uma forte congestão e em afogamento", alerta Álvaro de Brito.