Depois de um mês de apuração, a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru apreendeu mais de um quilo de cocaína e prendeu um casal em flagrante na manhã de ontem.
Segundo o delegado adjunto da Dise Ricardo Dias, a droga foi localizada em uma residência na rua Célio Daiben, com o casal Michael Douglas Batista Silva, 29 anos, e Ana Cristina Godoy Faria, 30 anos.
O serviço de inteligência da Dise acompanhou a movimentação do casal durante 30 dias e confirmou a venda de drogas no local e através de encomendas. O homem fazia a venda durante o dia e a mulher à noite. Nos finais de semana, o casal fazia entregas em casas noturnas de Bauru.
Ontem, por volta das 8h, os policiais esperaram Ana Cristina deixar o imóvel a caminho do trabalho e, durante a abordagem, encontraram 18 papelotes de cocaína em sua bolsa. Acompanhando a mulher até sua casa, os policiais executaram o mandado de busca e localizaram um tablete da droga, além de outra quantidade escondida dentro de um tubo de papelão.
"Na casa eles faziam revezamento, e nos finais de semana também se revezavam na entrega em casas noturnas. As pessoas ligavam e era combinada a entrega. Com base nessas informações e do trabalho de campo solicitamos a busca domiciliar", contou o delegado.
Também foram apreendidos R$ 287,00 e uma balança de precisão. A maior quantidade de droga estava dentro de uma lancheira infantil.
O casal tem um filho de 5 anos, que foi entregue aos cuidados da avó. Os dois foram acusados de tráfico, cuja pena é de cinco anos em regime fechado, e de associação ao tráfico, com pena que varia de três a cinco anos. Silva foi encaminhado para o CDP e sua esposa seria encaminhada para uma das cadeias femininas da região ainda ontem.
Mudança de perfil
De acordo com o delegado Ricardo Dias, o casal preso em flagrante ontem, que não tinha passagens policiais, mostra que o perfil do traficante está cada vez mais diversificado. Silva chegou a dizer ao delegado que optou pelo tráfico porque estava desempregado há algum tempo.
"O perfil do traficante é muito variado. A maioria das apreensões está relacionada ao crack, que é a droga mais barata e a comercialização é pulverizada. Para nós da Dise, até por conta da mudança do perfil do tráfico, não temos nos preocupado muito com a quantidade de drogas apreendida dependendo do alvo, porque o microtraficante só deixa no local o que comercializa, apenas o movimento diário. Para nós, o mais importante é fechar o ponto".
Mas, no caso de apreensão de ontem, o delegado explicou que se trata de um tipo de tráfico diferenciado. "É uma droga de valor agregado maior, cujo preço final tem muito a ver com a qualidade. Quanto melhor a qualidade, mais cara a porção, e que é vendida para um público de classe média alta, provavelmente", informou.
Na última terça-feira, a Dise apreendeu 13 porções de crack em uma residência no Jardim Carolina. Um homem foi preso em flagrante com a droga.