Diante da polêmica sobre a supervalorização de uma gleba de 244,6 mil metros quadrados de mata inserida no projeto de negociação da dívida milionário entre a Prefeitura de Bauru e o Departamento de Água e Esgoto (DAE), o prefeito Rodrigo Agostinho atribuiu ao seu chefe de Gabinete, Giasone Cândia, a tarefa de revisar a avaliação de R$ 7,4 milhões inicialmente apresentada. O problema é que, embora o pedido tenha sido feito há mais de um mês e com pedido de urgência do chefe, os trabalhos estão parados.
A informação divulgada pelo próprio Giasone é de que a reavaliação da área seria feita pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), órgão do qual é membro. No entanto, isso não vai acontecer, de acordo com o chefe de Gabinete, em razão da dificuldade de que profissionais realizassem o trabalho de forma gratuita. "Vamos trabalhar nisso para que, em outras ocasiões, uma parceria possa acontecer", afirmou.
A nova avaliação, portanto, deverá ser feita pela própria administração, especificamente pela Secretaria municipal do Planejamento. Giasone, porém, pontua que a questão demanda atenção e cuidado, além de avaliações de outras pastas, como a do Meio Ambiente (Semma), o que faltou quando do trabalho de apuração do valor da área. "A informação é de que não há apenas mata virgem na gleba e algumas áreas poderiam, até mesmo, receber empresas. Por isso tudo precisa ser avaliado tecnicamente porque, de acordo com essas variações, o preço do metro quadrado muda", explicou.
Mas isso já é informação de conhecimento do Gabinete há várias semanas e, nem assim, o processo, que trata de dívida antiga e milionária, anda.
Apesar de afirmar que as secretarias municipais estão atuando no caso, Giasone utilizou, mais de uma vez, o termo ?parado? para definir o trabalho de reavaliação da ?mata do DAE?. O chefe de Gabinete, porém, garantiu que a intenção é concluir o processo ?o mais rápido possível? o que, a esta altura, já significa muito mais atraso.
O caso faz parte de um dos principais assuntos envolvendo o poder público municipal, que é a dívida entre a autarquia e a administração, que hoje é de R$ 24 milhões. O processo de encontro de contas levou mais de dois anos para ser concluído e, ainda assim, com erros. O problema na área foi identificado pelo JC no início do ano passado e nem assim a questão foi solucionada.
Além da área localizada atrás do Distrito Industrial I, outros imóveis foram incluídos na negociação. O projeto, inclusive, foi devolvido ao Poder Executivo pela Comissão de Justiça da Câmara Municipal porque não apresentou os documentos que comprovam as avaliações de mercado desses imóveis. No caso da ?mata?, uma avaliação em junho de 2004, apontou o valor de R$ 309 mil, muito inferior aos R$ 7,4 milhões apresentados no projeto.
Quanto os documentos faltosos no projetos, solicitados a pedido de José Roberto Segalla (DEM), Giasone argumenta que também aguarda retorno de várias secretarias municipais.