O escritor e historiador bauruense Beto Braga, ao refazer junto com sua família o percurso rodoviário que liga as três partes do continente, conhecido como Carretera Panamericana (em sua grafia original), chamou atenção do Instituto Pan-americanos de Geografia e História (IPGH), órgão especializado da Organização dos Estados Americanos (OEA). O resgate pan-americano deverá resultar, inclusive, em monumentos aos primeiros aventureiros brasileiros que fizeram o trajeto ainda na década de 20 e a revisão da saga.
A família Braga concluiu a primeira etapa de sua aventura no dia 10 deste mês, quando Beto, sua esposa Márcia e os filhos Renato e Caio, chegaram ao Alasca, onde ficaram por 10 dias, após 4 meses de viagem. Agora, estão no Canadá, fazendo o caminho de volta ao sul do continente. Conforme o JC veiculou, a ideia da expedição é refazer o percurso que Leônidas Borges de Oliveira, Francisco Lopes da Cruz e o baririense Giuseppe Mário Fava fizeram.
No entanto, os atuais quatro aventureiros de Bauru ainda enfrentarão muita estrada pela frente. No Estados Unidos, o objetivo é cruzar a Rota 66, a primeira estrada pavimentada do País, que é cercada de histórias de magia e misticismo. A rodovia é chamada de "estrada mãe", pelo pioneirismo de ligar o Leste e o Oeste do País.
Ainda na terra do tio Sam, Carlos Braga divulgará o livro "O Brasil através das Américas", lançado por ele, em visitas à Ford, à National Geographic e à Organização dos Estados Americanos (OEA). O objetivo é tentar também novos patrocínios para o lançamento de mais uma edição da publicação, na qual Beto Braga retrata e comprova, com documentos originais, o feito de Leônidas Borges de Oliveira, Francisco Lopes da Cruz e Giuseppe Mário Fava. São os três brasileiros que, na década de 1920, percorreram de carro os 15 países que seriam cortados pela Carretera.
Agora, no caminho de volta, antes de chegar a Bauru, a viagem percorrerá o litoral brasileiro a partir do Nordeste, promovendo o livro escrito por Braga. A previsão é de que a família chegue à cidade natal em dezembro deste ano. No entanto, apesar da pequena parada, a saga não chega ao fim e seguirá rumo ao extremo do continente da América do Sul.
Primeira etapa da viagem é concluída no Alasca
A primeira etapa da saga só foi alcançada quando a família Braga chegou à pequena cidade de Prudhoe Bay, onde termina oficialmente a Carretera. Durante os quatro primeiros meses de viagem, a família passou por diversos países das Américas do Sul, Central e do Norte, onde foram recebidos por autoridades e divulgaram o livro "O Brasil através das três Américas". Foi com o objetivo de reviver essa aventura, que a família Braga decidiu, a bordo de uma caminhonete, fartamente equipada com GPS, câmeras de vídeo em alta definição, telefone e Internet e rastreador via satélite, enfrentar o calor da selva tropical, a aridez de desertos e o gelado "pré-glacial" dos extremos sul e norte continentais. A ideia é produzir novos livros e documentários sobre a viagem.
A saga, iniciada em Bauru no dia 16 de abril, teve seus primeiros destinos no Paraguai e na Argentina. Sempre recebidos por autoridades políticas ou diplomáticas, Braga encontrou-se com o renomado historiador Diego Cortejo Castellanos e, juntos, consultaram arquivos da Biblioteca Nacional, em Buenos Aires, trazendo à tona fatos importantes sobre a expedição original.
Na capital da Bolívia, o livro e o trabalho desenvolvidos por Carlos Braga ganharam destaque no principal e mais antigo jornal do País. A mesma repercussão na mídia e entre historiadores se repetiu em todos os lugares por onde a família passou, como Peru, Equador e Colômbia.
Ao chegar na América Central, os quatro aventureiros conheceram as paisagens da Costa Rica e da Nicarágua até alcançarem a parte norte do continente, passando pelo México, Estados Unidos e Canadá, antes do último destino da primeira etapa, o gelado Estado do Alaska (Estados Unidos), em pleno círculo polar ártico.
O início
Beto Braga conta que a saga de Leônidas, Francisco e Fava surgiu em sua vida num acaso que ele mesmo, de início, custou a acreditar. De tão impressionante era a viagem do trio, que o escritor bauruense admite ter duvidado se tudo aquilo relatado num manuscrito que foi parar em suas mãos era fato real ou ficção de uma mente criativa.
A paixão se tranformou no livro "O Brasil através das Américas", lançado por Braga em março deste ano, quando o autor autografou cópias para convidados e exibiu a caminhonete que está sendo usada na expedição iniciada no dia 16 de abril junto com seus filhos e a esposa.
Ao todo, mais de 60 mil quilômetros serão percorridos pela família. O trecho nacional da "Panamericana", explica Beto Braga, nada mais é do que, basicamente, o trajeto formado pelas atuais rodovias Presidente Dutra (BR-116) e Marechal Rondon (SP-300). O Jornal da Cidade segue acompanhando a expedição Panamericana da família Braga.
Em busca do reconhecimento
Entre os dias 16 e 18 de novembro, quando já estará no Brasil, Beto Braga fará uma pausa na expedição para participar de uma reunião junto a um órgão especializado da Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a aprovação de projetos de monumentos a serem construídos, ao longo da Carretera Panamericana, em homenagem aos três expedicionários brasileiros que cruzaram o elo rodoviário na década de 1920: Leônidas Borges de Oliveira, Francisco Lopes da Cruz e Giuseppe Mário Fava.
A apresentação da história dos aventureiros será feita na 43.ª Reunião do "Consejo Directivo" do Instituto Pan-americanos de Geografia e História (IPGH). A oportunidade surgiu após encontro entre Braga e o secretário-geral do instituto, Santiago Borrero Mutis, que demosntrou entusiasmo com o projeto de resgate em abrangência panamericana.