Bairros

Cultura ao alcance de todos

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

No Núcleo Fortunato Rocha Lima, Ana Beatriz de Oliveira arrisca seus primeiros passos no balé. Nunca havia feito a dança antes. Conhecia de ouvir falar e gosta das roupas cor-de-rosa que as bailarinas usam.

No Consórcio Intermunicipal da Promoção Social (CIPS), localizado no Centro, Emanuele Lima de Miranda veste, pela primeira vez, uma fantasia de princesa e se prepara para sua primeira aula de teatro. Não sonha em ser atriz. Quer, na verdade, ser presidente do Brasil. Mas as aulas de teatro podem ajudar na expressão, na desenvoltura...

Na sede da ONG Periferia Legal, no Mary Dota, Gabriel Luis de Souza Silva dá seus primeiros passos no break, dança que integra o hip hop. Observa o professor, incorpora o estilo e dá show.

Ana Beatriz, Emanuele e Gabriel Luis não se conhecem, mas têm muito em comum. Os três são crianças, sonham com um futuro bom e estão animadíssimas com o mundo de possibilidades culturais que lhes estão sendo oferecidas por entidades localizadas próximas do local onde moram, contempladas pelo programa Pontos de Cultura.

Para eles, o que interessa é que, enfim, poderão respirar um pouco de cultura. Provavelmente, nem desconfiam o longo caminho que as entidades que frequentam tiveram de percorrer para conquistar o benefício.

Para entender melhor, Ponto de Cultura é uma ação principal de um programa federal do Ministério da Cultura chamado Cultura Viva, em parceria com a prefeitura, que visa incentivar a agitação e a criação cultural nos bairros da cidade.

O Ponto de Cultura anunciou sua chegada à Bauru em 2009, quando abriu inscrições para que as entidades interessadas apresentassem documentação e um projeto a ser desenvolvido. Os selecionados seriam contemplados com uma verba de R$ 180 mil cada para desenvolver um plano de trabalho com duração de três anos, ou seja, R$ 60 mil por ano.

"Na primeira fase de seleção, houve uma análise documental. Na segunda, uma análise técnica de capacidade, projeto e experiência da entidade. E, na terceira, uma análise social", explica Ariane Ribeiro de Barros, agente cultural da Secretaria Municipal de Cultura e responsável pelo acompanhamento da rede de pontos.

Dentre os 20 projetos inscritos, dez foram aprovados e, há cerca de dois meses, receberam a verba para iniciar os trabalhos.

E é aí que as novidades começam. Além de aulas de hip hop, dança, música, cultura afrobrasileira, artesanato, artes plásticas, entre outras atividades que variam de acordo com cada projeto, os bairros terão acesso a ferramentas e aulas de recursos audiovisuais.

"É item obrigatório no projeto. Todos devem ter câmeras filmadoras, máquinas fotográficas, ilhas de edição, entre outras coisas. Com isso, as entidades poderão integrar os participantes ao mundo virtual, além de registrar todo o trabalho desenvolvido e colocar na rede", explica Ariane.


Na ponta da
sapatilha


"Todo mundo em primeira posição. Não se esqueçam dos braços leves. A cada contagem minha, todos fazem o pliê! Vamos lá: um, dois, três..."

É com a voz doce e a delicadeza típica das bailarinas que Amanda Ribeiro dos Santos alimenta com sonhos e cultura cerca de 25 crianças que participam do Ponto de Cultura Esperança em Dança, projeto da Casa da Esperança, localizada no Núcleo Fortunato Rocha Lima.

Para a maioria das crianças participantes, o projeto é a primeira oportunidade de contato com o balé. Por isso, a empolgação é grande. Inclusive, por parte dos meninos.

Os cabelos presos cuidadosamente, o esforço para realizar os passos propostos pela professora, e o cuidado constante com a postura deixam transparecer a importância que as aulas têm para os pequenos.

"Teremos aulas de teatro e balé, que serão realizadas às segundas e terças-feiras, no período da tarde. No sábado, tem ensaio geral. As crianças estão adorando a nova experiência. Provavelmente, não se tornarão bailarinos nem atores profissionais. Contudo, as aulas vão além deste objetivo", explica Martha Maria de Oliveira Cesar, coordenadora da entidade e responsável pelo projeto Esperança em Dança.

E para quem pensa que o projeto envolve somente os pequenos, se engana. Isso porque dez mães de alunos serão responsáveis por confeccionar todo o figurino e cenário para as apresentações.

"Como aqui na Casa da Esperança temos cursos de geração de renda e um deles é o de corte e costura, as próprias mães vão confeccionar o figurino da criançada. Estamos todos animadíssimos", comenta Martha.

Então, se quiser, pode marcar na agenda: dia 14 de dezembro o Ponto de Cultura Esperança em Dança sobre ao palco pela primeira vez.

Comentários

Comentários