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Integridade política administrativa

Ricardo Coube
| Tempo de leitura: 3 min

Por incrível que pareça, muita gente não reconhece e não percebe as mudanças estruturais ocorrida no campo das comunicações, conexões e informação. Mesmo sendo representante de uma geração não conectada globalmente, esforço-me para entender como funciona o mundo conectado, principalmente devido aos impactos do processo no mundo dos negócios, que é aonde atuo profissionalmente. A classe política brasileira, se ranquearmos, será eleita a mais ingênua, burra e despreparada para lidar com o poder da informação como fator de controle e avaliação da gestão política exercida por eles.

A arrogância e prepotência dos políticos, aliado ao despreparo, assessoria ruim e ambiciosa por poder e dinheiro, além dos compromissos escusos de campanhas políticas, tornam esta classe de pessoas alvos fáceis e atraentes para mídia em geral, Receita Federal e Polícia Federal. Compartilho da opinião que a degradação da ética e moral política vem piorando, sistematicamente, ao longo do tempo. Como escreveu o professor de história Mário, numa carta do leitor, que saudades das críticas que fazíamos aos militares como Andreazza e Geisel, e que o tempo mostrou que morreram como simples cidadãos e nada deixaram aos seus familiares. Portanto, aceite ou não o ex-presidente Lula, o processo de corrupção vem aumentando consideravelmente, e eu não vejo as instituições fiscalizadoras estruturadas para combater tanta corrupção simultaneamente.

O ex-presidente é um grande oportunista e ambíguo com relação à corrupção e a ca-pacidade dos órgãos fiscalizadores de atuarem na repressão. Lula sempre propagou que os escândalos apareciam porque estavam sendo fiscalizados. A verdade é que a polícia federal e o fisco não vencem as demandas existentes de tantos problemas nessas áreas em toda a sociedade.

Incluo nesta análise as empresas e empresários que não perceberam o quanto o mundo mudou, e que não dá mais para achar que as decisões tomadas na gestão dos negócios não estejam sendo fiscalizadas através das facilidades que a tecnologia da informação permite aos órgãos fiscalizadores. Trocamos a fiscalização de campo, realizadas por fiscais, pela informação inteligente a serviço do controle estadual e federal. Imagino que os órgãos fiscalizadores trabalham com prioridades. Não dá para fiscalizar tudo e todos si-multaneamente. Se quiséssemos acabar com a bandalheira de Brasília, teríamos que utilizar todo o recurso existente federal durante anos.

A presidente, que é uma gestora muito melhor preparada que o seu antecessor, sabe muito bem deste poder (informação) e dá sinais claros e objetivos que pretende levar a sério o combate a corrupção no seu governo. Será uma missão muito difícil, pois ela trombará, cada vez mais, com os apadrinhados do antecessor e dos grandes caciques políticos, tipo Sarney, Collor e outros. Entretanto, a sociedade está cada vez mais antenada, e espero que disposta a cobrar ações enérgicas contra este estado de coisas atuais.

Afinal, a corrupção é o câncer deste País. E ela tem amparo na complexidade da constituição brasileira e na parafernália tributária existente além da burocracia.

Mesmo avaliando temas nacionais como este, lembro que a nossa cidade e região estão inclusos neste contexto. Bauru é um rico exemplo de bons e maus tratos na gestão pública e privada dos negócios. Vamos ficar espertos, pois tudo vale para todos! Para o bem ou para o mal!

O autor, Ricardo Coube, é diretor-presidente do Grupo Tiliform

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