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Subsecretário vai pagar pelo enterro de homem atropelado por ele no Rio


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Rio de Janeiro - Parentes do pedreiro Ermínio Cosme Pereira, 58 anos, atropelado na noite de anteontem em Niterói (RJ) pelo subsecretário de Estado da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Alexandre Felipe, informaram que os assessores do político procuraram a família para custear o enterro.

A morte cerebral de Pereira foi confirmada ontem. "É o mínimo que ele poderia fazer", disse a irmã Maria José Barreto, 50 anos.

Maria José não escondia a revolta com a morte do irmão. "É um sentimento de tristeza, de raiva. Ele mata, destrói a vida de uma pessoa e não vai preso. Ele está livre. Vai apenas responder a um processo e a vida do meu irmão acabou. Político e rico não vão para a cadeia", disse ela, revoltada.

O filho do pedreiro, Giovani Evangelista, 28 anos, contestou as palavras do subsecretário Alexandre Felipe, que declarou anteontem ao sair da delegacia ter perdido o controle do veículo ao ser "surpreendido por uma bicicleta" no trânsito.

"É mentira. Meu pai estava no canto da rua, a pé, levando a bicicleta ao lado. As testemunhas o viram antes atropelar uma mãe e os dois filhos dela. Depois, ele atropelou meu pai 200 metros mais à frente", disse.

Os filhos de Pereira autorizaram a doação de órgãos. Ele está internado na CTI do hospital Azevedo Lima, em Niterói. A sua morte deve piorar a situação de Felipe, que deve passar a ser indiciado por homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar), em inquérito de responsabilidade da 81.ª DP (Itaipu).

Pereira e outras três pessoas foram atropeladas por Alexandre Felipe na noite de anteontem.

O subsecretário, que já foi coordenador da Operação Lei Seca no Rio, afirmou que havia bebido apenas meia taça de vinho antes do acidente e que não havia alterado a sua percepção. Testemunhas disseram, no entanto, que ele dirigia em zigue-zague e parecia alcoolizado quando saiu do carro.

Ele depôs sobre o acidente ontem à tarde e não teve a carteira apreendida pela Polícia Civil. O delegado Carlos Alexandre Leite informou que a medida seria uma punição administrativa que só poderia ser aplicada pelo Detran.

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