Dois terços das mortes de crianças com até um ano de idade, em Bauru, ainda ocorrem por causas consideradas evitáveis, segundo a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde, Heloísa Lombardi. De acordo com ela, grande parte dos bebês que ainda morre na cidade é afetada por pneumonia, septicemia, infecções de maneira geral, baixo peso e até por aspiração de leite, todas ocorrências que poderiam ser prevenidas a partir de cuidados básicos.
Ainda assim, em 2010, o índice de mortalidade infantil atingiu seu menor patamar dentro das estatísticas recentes e chegou a 9,3 óbitos de crianças menores de um ano por mil nascidas vivas. O número, abaixo de dois dígitos, atende às exigências da Organização Mundial de Saúde (OMS) e é comparável aos níveis obtidos por países desenvolvidos.
O bom desempenho de Bauru integra o mais recente levantamento da Secretaria de Estado da Saúde, com base em informações da Fundação Seade. Segundo o estudo, no ano passado nasceram 4.416 bebês na cidade, sendo que, destes, 41 morreram antes de completar um ano de vida. Nos últimos 10 anos, a taxa - considerada o principal indicador de saúde pública pela OMS ? registrou queda de 31,1% na região.
Na avaliação da diretora do DSC, o aprimoramento da assistência ao parto e à gestante, a ampliação do acesso a exames pré-natais, a expansão do saneamento básico e a vacinação em massa de crianças pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são os principais motivos para a redução dos números. "Os pré-natais, por exemplo, são importantes para diagnosticar precocemente doenças infectocontagiosas ou sexualmente transmissíveis que podem ser transferidas da mãe para o feto, detectar uma possível gestação de risco e acompanhar todo o desenvolvimento do bebê", observa.
Outro fator fundamental para redução dos índices, segundo Heloísa, é a implementação de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que obrigam gestantes a realizar todos os exames pré-natais e vacinar seus filhos, além de permitirem à mãe oferecer melhores condições de vida para o recém-nascido.
Maioria dos óbitos ocorre até 28º dia
Outro dado importante para a cidade é o registro de quedas sucessivas no número de mortes durante o período pós-neonatal (acima do 28.º dia de vida até um ano de idade). "Na cidade, o maior responsável pela mortalidade infantil são os óbitos ocorridos no período neonatal (até o 28.º dia após o nascimento), principalmente nos primeiros sete dias de vida", destaca a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde, Heloísa Lombardi.
Ela explica que a concentração dos registros de morte nos dias iniciais de vida é característica dos países de Primeiro Mundo, já que os óbitos ocorridos no período pós-neonatal são mais influenciados por causas externas, como falta de saneamento básico, educação e acesso aos serviços de saúde. "Quando um município começa a ter uma qualidade melhor nesses aspectos, esse coeficiente pós-neonatal tende a diminuir", resume.
Isso porque, conforme ela lembra, os problemas originados no período neonatal também se vinculam às malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas, disfunções que dependem do desenvolvimento de tecnologias científicas. "São doenças não-evitáveis, que não estão diretamente relacionadas à qualidade da assistência básica prestada pelo município", pontua.