Muitos arco-íris em forma de guarda-chuvas, capas, bandeiras, roupas. Tão vibrantes quanto as cores, gays, heteros, simpatizantes, integrantes de todas as ?tribos', além de inúmeras famílias pediram ontem o fim do preconceito e do bullying, durante a 4.ª Parada da Diversidade de Bauru, que tomou a avenida Nações Unidas com público recorde. Segundo os organizadores do evento, 45 mil pessoas aproveitaram a tarde de sol para curtir música eletrônica e mostrar que Bauru é uma cidade que respeita os direitos humanos.
Cálculos da Polícia Militar apontam para 37 mil participantantes, sendo que no ano passado o público estimado foi de 30 mil. Ontem, a concentração começou às 13h na Praça da Paz. Ali, quatro trios elétricos com DJs já animavam o público que começava a se posicionar na avenida considerada o cartão postal do município. Munidos com a pulseirinha da diversidade, a ?ordem? era dançar, "extravasar", curtir e semear o amor e a união, independentemente da idade.
Para que os trios elétricos começassem a seguir rumo ao Parque Vitória Régia, onde foi realizado o show da cantora Preta Gil, os organizadores do evento, Markinhos Souza, presidente da Associação Bauru pela Diversidade (ABD) e Rick Ferreira, também da ABD, iniciaram o discurso de abertura.
Noite Preta reúne mais de 30 mil pessoas
De KelLy Key à Djavan, Preta Gil cantou e animou as mais de 30 mil pessoas presentes no show de encerramento da 4.ª Parada Diversidade realizada no parque Vitória Régia, na noite de ontem, em Bauru.
Com rits variados, brincadeiras e mensagens de conscientização durante o espetáculo, a cantora mostrou ao que veio e subiu ao palco defendendo a causa contra a discriminação e a homofobia.
Preta afirma que seu trabalho musical de hoje, possui um repertório todo trabalhado para a diversidade. "No meu show eu canto de tudo, mostro a minha diversidade e procuro desmistificar a idéia de que o público gay gosta apenas de música eletrônica. Me considero porta-voz da causa que defende qualquer público discriminado pela sociedade", ressaltou Preta à repórter do JC.
Madrinha da ?Diversidade?
Madrinha da "Diversidade" de Bauru, a estilosa Rubya Bittencourt não contou quanto investiu para trajar seu belo "modelito", usado para desfilar durante a 4.ª Parada da Diversidade de Bauru. Enfatiza, porém, que recebeu apoio que teve para a produção. "Todas as ?Paradas? do Brasil se misturam, são paralelas a uma militância e uma festa. As pessoas que vêm para a festa, inconscientemente, estão convivendo com estas pessoas. As famílias que vêm para ver as drags, já estão plantando a sementinha, que é a de conviver com essa diferença toda", disse.
Famílias apoiam fim do preconceito
Muitas famílias compareceram à 4.ª Parada da Diversidade de Bauru. Elas se dispersaram pela avenida Nações Unidas para assistirem à passagem dos trios elétricos. Também permaneceram no Parque Vitória Régia, onde aguardaram para assistir ao show da cantora Preta Gil.
Carla Martins Lima, 31 anos, marcou presença na "Parada" pela segunda vez. No ano passado, foi junto da mãe Benedita Martins, 54 anos, e do filho, que ainda estava em seu ventre. Desta vez no colo, Luan Bryan Martins Lima foi levado por Carla para conhecer a Parada da Diversidade.
"Eu sou totalmente contra o preconceito e já quero ensiná-lo assim. Sou contra todo tipo de preconceito", frisou Carla. "No ano passado nós vimos o casamento do casal e o beijo. Foi muito legal", acrescentou Benedita.
Contra a homofobia
Dentre as diversas faixas alusivas ao fim do preconceito contra homossexuais, duas destacaram-se. O primeiro trio elétrico levava uma que dizia "Se Deus é por nós, quem será contra nós". Outra que também chamou muito a atenção de quem participou do evento foi a de skinheads que mostraram-se contra a homofobia.
Muito luxo
Quem compareceu na 4ª Parada da Diversidade de Bauru pode conferir a presença de inúmeras drag queens. Entre elas uma foi destaque por estar com uma fantasia luxuosa enfeitada com muito brilho. Drag há cinco anos, Alana, 29 anos, veio da cidade de São Carlos com o namorado Sílvio Mello, 45 anos. Para vir a Bauru, escolheu um figurino especial de R$ 1 mil, que combinou com o de seu namorado. Para ela, ser drag queen nada mais é do que ser uma boneca de luxo.
"Tem muitas que se "montam", mas de forma depravada. Eu acho que para ser bonita, tem que ser uma boneca de luxo. É nisso que eu me inspiro. O legal é ficar bonita e diferente", opinou.
Alana apoia o movimento pelo fim do preconceito e define a diversidade como uma atitude que cada um de nós podemos fazer. "Eu acho que a diversidade somos nós que fazemos. Nós mesmos fazemos a ?Parada? para sermos iguais e, para começar, temos que nos dar o respeito. Se tudo partir do respeito, acho que podemos chegar lá. Ninguém é obrigado a aceitar, mas sim respeitar o que este ser humano é", alertou.