Polícia

Incêndio atinge mata e 3 empresas no Distrito 2

Por Vinicius Lousada | Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Um incêndio de grandes proporções tomou conta da mata e de empresas instaladas no Distrito Industrial 2 ontem à tarde. Informações da Defesa Civil apontam que duas das empresas foram devastadas pelo fogo e outra foi atingida parcialmente. O perigo maior, porém, foi a proximidade com uma distribuidora de gás, localizada em frente ao depósito de recicláveis, completamente destruído. A área fica próxima ao Hospital da Unimed.

A alta temperatura, o tempo seco e o vento contribuíram para o cenário de terror formado no local. Em meio à intensa fumaça, lágrimas contidas ou acompanhadas por gritos de pavor corriam pelos olhos de proprietários e funcionários das empresas atingidas pelo fogo. Segundo informações iniciais, o incêndio teria começado no mato e se alastrado em direção aos imóveis. Não há indícios de vítimas.

Os prejuízos, porém, foram grandes e, até o fechamento desta edição, não tinham sido estimados. A Reciclar foi a primeira e mais atingida das empresas. Quando chegaram, os responsáveis tiveram tempo apenas de retirar alguns veículos. No mais, até suas estruturas foram comprometidas, segundo a Defesa Civil.

O proprietário Gilson Molicarrojo não se conformava e fez questão de ficar no local, onde presenciou com dor seu patrimônio queimando. A pior parte é que a empresa não conta com seguro por lidar com material reciclável. "Eu não sei o que fazer", balbuciava o empresário, enquanto era consolado por funcionários e amigos.

Colaborador da empresa há 10 anos, Marcelo dos Santos Mariano não conteve a indignação diante das cenas de destruição. "Se fosse algo parcial, a gente dava um jeito, mas foi tudo embora. Amanhã [hoje] muitos pais e mães de família não vão saber o que fazer", lamentou.

A outra empresa atingida foi a Ecirtec, que produz complexos industriais. Não sofreu grandes danos. Funcionários ajudavam no combate ao fogo com mangueiras. No entanto, a terceira empresa, Diversiplast, também foi amplamente devastada. A funcionária Thaís Prado lançou mão de orações enquanto assistia ao fogo e à fumaça, que tomaram conta do local. "Conseguimos tirar os equipamentos de escritório", contou.

Perigo

O que poderia se tornar uma tragédia de proporções ainda maiores foi evitado pela operação conjunta de empresas e Corpo de Bombeiros. Na frente da empresa de recicláveis, está instalada a distribuidora Nacional Gás. Logo nas primeiras horas do incêndio, todos os botijões carregados foram evacuados. No entanto, o reservatório de gás gerava receios, apesar do sistema de segurança que promove a refrigeração do material. "O gás é inflamável e explosivo. Se o fogo chegasse até lá, teríamos que isolar a área e deixar queimar", afirmou o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.

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Ação por terra e ar


Participaram dos trabalhos de combate ao fogo, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar (PM), Defesa Civil, Secretaria Municipal de Obras, Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Departamento de Água e Esgoto (DAE) e a empresa Duratex, de Agudos, que enviou caminhão-pipa. O helicóptero Águia 17 da PM fez o combate aéreo. "Nesses casos, dependemos de uma logística muito complexa. A ação tem que ser por terra e pelo ar", afirmou Álvaro de Brito.

Até o fechamento desta edição, o Corpo de Bombeiros ainda não havia calculado o total da área atingida pelo incêndio, nem a quantidade total de litros de água gastos para controlar as chamas. "Gastamos pelo menos 500 mil litros de água e 50 homens somente do Corpo de Bombeiros foram empenhados para apagar as chamas", informou o tenente da corporação, Felipe Fernandes Koffler. Os trabalhos duraram ao menos 8 horas até que as equipes conseguissem controlar todo o fogo.

Até o fechamento desta edição, ainda havia focos de incêndio dentro das empresas atingidas e trabalho de inspeção desses focos seguia em andamento. "Estamos fazendo o trabalho de rescaldo dos recicláveis. É preciso revirar tudo para que o fogo não seja mantido na base desses materiais", explicou o coordenador da Defesa Civil.

As informações são de que o fogo iniciou na mata durante a manhã de ontem e, por conta da alta temperatura, da baixa umidade do ar e do vento, se espalhou rapidamente e chegou às empresas atingidas. Seguranças de uma indústria próxima, que preferem não se identificar, afirmam que avistaram a fumaça no mato, bem distante das empresas. "A gente começou a chamar o Corpo de Bombeiros às 10h50, mas ninguém atendia. Conseguimos falar às 11h28, mas eles demoraram a chegar e o fogo já estava se alastrando", pontuou um deles, mostrando o registro das ligações em seu aparelho celular.


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