Ciências

Como eles te encontram!


| Tempo de leitura: 4 min

G=global, P=posicionamento, S=sistema. Circulando ao redor da terra estão 32 satélites como companheiros da lua. De onde estás pode-se ver pelos menos quatro deles a cada momento a 19 mil metros de altitude. Se perguntar sua localização, a resposta será precisa: em Bauru. Os satélites irão comparar sua distância de pontos fixos como: Araraquara, Marília, Lins e Botucatu. O sistema informará tua localização e orienta como chegar ao restaurante! Estes satélites conseguem localizar uma formiga, se ela emitir algum sinal e poderá ser fulminada por um míssil.

De forma mais simples: ao enviar uma mensagem, quatro satélites captarão e saberão onde estou e podem orientar qualquer um a me localizar na Terra, em qualquer lugar, até se perdido no deserto ou no meio da selva amazônica. Cada um dos 32 satélites dá duas voltas na terra por dia e tem um poderoso relógio atômico.

Este conjunto de satélites forma o Sistema de Posicionamento ou Localização Global ou em inglês GPS. Quem controla e faz funcionar este sistema tem o mundo nas mãos, pois pode saber tudo o que ocorre em cada ponto de qualquer país. O que temos em nosso celular, computador e carro é um GPS maravilhoso, mas existe uma versão militar, muitas, mas muitas vezes melhor.

Por muito tempo e enquanto apenas um sistema GPS existir, os Estados Unidos da América "controlarão" o mundo. O gerenciamento de todas informações recebidas pelos satélites e as suas respostas passam por uma sala localizada no interior estadunidense, na Base Aérea de Schriever, no Colorado.

O GPS é operado por três jovens da Força Aérea Americana, os responsáveis pelos 32 satélites que viajam a 14 mil km/h. Se um desses satélites baterem em um boné de astronauta perdido na órbita da terra, será pulverizado: cada satélite custa R$ 100 milhões. Os três jovens operadores do sistema GPS trabalham supervisionados por mais cinco pessoas: operador da rede que comunica a central com outras conexões, operador de veículos que controla a rota dos satélites, analista de sistema de informações e comunicações do espaço, além de um chefe e outro comandante. A cada 8 horas, as equipes são trocadas.

A responsabilidade destes profissionais é muito grande: aviões, foguetes, navios, carros, trens, mísseis e muito mais dependem de sua concentração e coordenação. Mas, se algo falhar, tem-se alternativas de controle informatizado que podem manter o sistema funcionando independente por 180 dias.


Programa espacial brasileiro

Uma das grandes discussões atuais no mundo científico e tecnológico diz respeito aos programas espaciais de cada um dos 10 países economicamente mais importantes no mundo, incluindo-se o Brasil. Quando se diz programa espacial, quase todos pensamos em corrida do homem para a lua, outros planetas e até em contatos com seres extraterrestres. Esta é apenas a parte mais romântica.

Os programas espaciais envolvem a construção de foguetes, para que se possa colocar em órbita os satélites. Os satélites controlam a vida na Terra, mas também permitem previsão do tempo e das condições climáticas, controle das florestas como as queimadas e desmatamento e controle e checagem da mobilização de bombas nucleares e outras armas de destruição em massa. Fabricar foguetes, ter base de lançamentos de satélites, como a de Alcântara no Maranhão e, especialmente fabricar satélites, significa vender informações, alugar equipamentos e estrutura para quem não tem e ainda ter a possibilidade de monitorar os demais países. Tudo isto tem nome: poder ? e advindo de muita ciência e tecnologia!

A reestruturação do programa espacial brasileiro está em discussão e, provavelmente, os dois principais órgãos sofram uma fusão: a Agência Espacial Brasileira e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Uma das metas é duplicar o orçamento do programa articulado entre os Ministérios da Ciência e Tecnologia e o da Defesa. Diz o presidente da AEB, Marco Antônio Raupp: "se hoje lançamos um satélite a cada 4 anos, queremos passar a lançar um ou dois por ano."

Um país não é poderoso apenas pelo PIB, bolsa de valores, taxa de juros etc. O poderio vem do domínio da ciência e tecnologia da informação, da previsão e do controle de muitos fatores da vida mundial, inclusive da possibilidade de manipular a paz e a guerra. Os brasileiros devem se inteirar do seu programa espacial que pode ditar nosso papel no mundo enquanto nação: não estamos isolados no mundo!


Alberto Consolaro ? Professor Titular da USP e Colunista do Caderno Ciências do JC

Comentários

Comentários