Economia & Negócios

Aumenta procura por contratos de ouro

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 4 min

O surgimento de uma nova crise financeira mundial fez os investimentos em ouro aumentarem consideravelmente, inclusive no Brasil e, especificamente, em Bauru. O metal que serve como "porto seguro" há milênios voltou a ganhar espaço. Desta vez, a nova corrida do ouro é reflexo da instabilidade da economia internacional.

O "refúgio" passa a ser o metal precioso. Por ser considerado um investimento mais seguro que outros diante de fortes oscilações nos negócios, o ouro passa ser procurado em momentos de incerteza. Porém, existem restrições ao investimento.

A principal é que a cotação desse metal é feita em dólar, o que torna o investidor sujeito às variações da taxa de câmbio. Há cerca de dez dias, por exemplo, a onça (medida equivalente a 31 gramas, utilizada no Exterior) apresentou valor recorde de US$ 1.911,46 (R$ 3.067). Na semana seguinte, porém, sofreu declínio espetacular. Na quarta-feira da semana passada, por exemplo, os futuros do metal precioso caíram mais de US$ 100, a maior queda diária desde 1980 e uma das mais intensas já registradas.

Mesmo assim, as negociadoras brasileiras registram o dobro de movimento em ouro neste ano. Isso porque o metal chegou a render mais do que bolsa, fundos de renda fixa e poupança. Conforme informou a assessoria do Banco do Brasil (BB) ao JC, o volume médio de ouro negociado neste mês (até o dia 16), apresenta "substancial crescimento" em Bauru se comparado ao apresentado em todo o semestre. No País, em 2010 o banco registrou volume de negociações superiores a R$ 38 milhões em ouro, sendo que em novembro e dezembro as operações tiveram alta de 176%.

Mas em entrevista à Revista Exame deste mês, Carlos Massaru Takahashi, presidente da BB DTVM, gestora de recursos do Banco do Brasil, não aconselhou investimento no metal. "Não recomendo que os investidores apliquem nesse mercado, porque a volatilidade está muito elevada".

Para Paulo Portinho, executivo do Instituto Nacional de Investidores (INI), a "alternativa" de investir em ouro não pode ser vista como proteção ao brasileiro. "O ouro, na verdade, é um commodity (mercadoria) e não é exatamente um investimento. É uma proteção, já que a pessoa compra um material porque acha que ele não vai perder o valor. Mas isso é um movimento internacional, o mercado brasileiro não manda nada em relação à isso. Para o estrangeiro que tem renda fixa em 1% ao ano, tudo bem. Mas não faz sentido ao investidor no mercado nacional. O brasileiro que está investindo nisso hoje está assumindo riscos de câmbio e riscos internacionais à toa, sendo que temos uma renda fixa ótima", explica.


Opções

Portinho salienta para as opções mais acessíveis ao investidor brasileiro. "Se quiser proteção, tem a opção da renda fixa (rendimento obtido em títulos do mercado financeiro), que dá 12% ao ano dependendo da opção que estiver escolhendo. Não adianta investir em ouro, pois esse metal é cotado em dólar e d essa moeda pode cair".

Ele conta que algumas opções como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), que são títulos nominativos emitidos pelos bancos e vendidos ao público como forma de captação de recursos, ou até mesmo as conhecidas poupanças, são melhores opções. "Para o investidor do dia a dia acredito que investir em ouro é loucura. É mais difícil investir em commodity do que investir na própria Bolsa. É muito complexo. Ele não pode comprar direto, tem que comprar via Fundo, ou então compra e guarda em casa. Então, de qualquer forma ele acaba assumindo riscos desnecessários", diz.


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Consumidor final paga mais caro


Apesar da queda abrupta registrada na última semana, há dez anos o mercado financeiro tem registrado o aumento nos valores do ouro que acabam refletindo no consumidor final.

Corretora especializada que atua no varejo e em contratos negociados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a M-Ouro Minas apresentou no ano passado uma análise no mercado nacional que apontou crescimento de 400% no preço, por exemplo, das alianças de casamento.

"Sempre em tempos de crise há um aumento no valor do ouro. E se aumenta lá, o reflexo virá consequentemente para o bolso do consumidor. Hoje temos uma média de 15% mais caro que há um mês", comenta O.G., há 12 anos proprietário de uma joalheria no centro da cidade e que preferiu não se identificar temendo a onda de assaltos.

A solução encontrada por alguns ourives foi diminuir o peso, tanto nas mãos quanto no bolso do consumidor. Geralmente uma aliança é feita com 75% de ouro, mas algumas alternativas já são utilizadas para amenizar o gasto. "Existem algumas alternativas para deixar a aliança mais barata. O fato dela ser mais fina, por exemplo, ou de colocar alguma pedra que ocupe o lugar do ouro". Segundo o proprietário, um par de alianças de ouro custa hoje, no mínimo, R$ 240,00 ao consumidor.

Outro setor que acaba ganhando força em tempos de crise é o de compra do metal. "As pessoas acabam guardando suas joias esperando um momento em que o ouro se valorize. E é exatamente isso que está acontecendo, estamos recebendo mais interessados em vender suas joias, e correntes. Mas nada que mude muito a rotina", conclui.

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