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Toxina pode ter afetado hemodiálise no HB

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 4 min

Embora a causa ainda seja desconhecida, 10 pacientes do serviço de hemodiálise do Hospital de Base (HB) de Bauru passaram mal durante o tratamento realizado nesta segunda-feira. Eles apresentaram febre, calafrios e tontura, mas nenhum chegou a ser internado. O desprendimento de resíduos ou a liberação de toxinas por bactérias mortas, ambos durante o processo de desinfecção dos equipamentos que filtram a água usada no tratamento, são as possibilidades avaliadas como a causa do problema.

Segundo a responsável técnica da Unidade de Diálise do hospital, a médica nefrologista Silvia Lílian Andrade Neiva Bettoni, amostras da água foram colhidas e enviadas para análise. O resultado deve ser conhecido até sexta-feira

Como a água utilizada no processo de purificação do sangue é utilizada por todos os pacientes, a possibilidade de contaminação foi a primeira suspeita para o ocorrido. Mas, segundo a médica, uma desinfecção de rotina dos equipamentos havia sido feita no domingo, um dia antes do ocorrido. Mesmo assim, a empresa que faz a manutenção dos equipamentos que tratam a água usada no procedimento foi acionada. Ontem, a empresa realizaria uma nova desinfecção dos aparelhos.

Além da manutenção dos equipamentos, uma outra empresa, de Sorocaba, faz mensalmente a análise da qualidade da água, com a emissão de laudos. Um laudo, cujo material foi colhido no dia 18 de agosto, apresentado pela responsável indicava como positiva a qualidade da água.

Uma equipe do Instituto Adolfo Lutz colheu amostras de água ontem e a Vigilância Sanitária foi acionada. "Diariamente há um registro feito pela enfermagem da qualidade da água e estava tudo normal, sem alteração", garantiu a médica. Ontem não houve problemas e os pacientes fizeram o tratamento normalmente.


Bactérias


Inicialmente descartada a hipótese de contaminação da água, a médica apontou o desprendimento de algum resíduo ou a liberação de toxinas por bactérias mortas, ambos durante o processo de desinfecção feito no domingo, como possíveis causas do mal estar sentido pelos pacientes nesta segunda-feira.

"Na hora que você mata a bactéria ou mexe com ela no encanamento, pode acontecer isso. É uma toxina que tem dentro da bactéria, se ela morreu, libera isso. Essa toxina pode ser liberada na água e ser responsável pelos calafrios. Nós temos a empresa que faz a manutenção mensal programada, que esteve no domingo. E na segunda-feira nós tivemos isso, que a gente já acha que pode estar relacionada com a manutenção", disse Silvia Bettoni.

Tereza Faifer, também nefrologista da unidade, afirmou ontem que foi feita a cultura do sangue dos pacientes. O resultado deve ficar pronto em três semanas. Até lá, os 120 pacientes atendidos na unidade de hemodiálise do HB voltarão a se submeter ao tratamento, três vezes por semana, em três turnos diferentes. A unidade é dividida em três salas, que têm capacidade para atender 17, quatro e dois pacientes cada, por turno de atendimento. Os pacientes que se sentiram mal foram do turno da manhã e noite.


Tratamento


Depois de interrompido o tratamento na segunda-feira, os pacientes foram medicados com antibióticos. O procedimento é padrão em casos de tremores e calafrios. A coleta de sangue para monocultura também é padrão, mas o resultado deve ficar pronto em três semanas. Até lá, os pacientes continuam sendo observados durante o tratamento. Caso o exame de sangue aponte a necessidade, outro tratamento poderá ser aplicado depois desse prazo.

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Quatro morreram em 2003


O caso mais grave envolvendo a unidade de hemodiálise do Hospital de Base ocorreu em 2003. Um inquérito policial investigou a morte de quatro pacientes que eram submetidos ao tratamento. A unidade foi fechada no dia 3 de outubro do mesmo ano, quando foi verificada a contaminação da água usada no procedimento.

O serviço foi normalizado 41 dias depois, e voltou a receber os 103 pacientes que passaram a ser atendidos em cidades da região durante a interdição da unidade do HB. Na época, o hospital questionou a relação entre as mortes e o serviço oferecido.

Depois disso, as médicas nefrologistas do HB confirmaram que no início de 2011 pacientes apresentaram os mesmos sintomas da última segunda-feira. Também nessa ocasião, não foi identificada contaminação da água, de acordo com elas. Os outros casos foram considerados como episódios pontuais, que não se repetiram.

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Métodos de tratamento


Os pacientes que perdem a função renal têm três métodos de tratamento, que substituem as funções do rim: a diálise peritoneal, a hemodiálise e o transplante renal.

A diálise é um processo artificial que serve para retirar, por filtração, todas as substâncias indesejáveis acumuladas pela insuficiência renal crônica. Isto pode ser feito usando a membrana filtrante do rim artificial ou da membrana peritoneal. Existem, portanto, dois tipos de diálise: a peritoneal e a hemodiálise.

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