Bairros

Nações Norte terá 1º piscinão de Bauru

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 4 min

Historicamente castigada pelas enchentes em pontos críticos como a avenida Nações Unidas e rua Alfredo Maia, Bauru terá, finalmente, seu primeiro piscinão para contenção de águas pluviais. O novo equipamento está sendo instalado em uma área também recente no cotidiano dos bauruenses: a avenida Nações Norte, entregue em junho deste ano.

Desde a inauguração da avenida, a prefeitura estuda o projeto de urbanização do Parque Castelo, complexo que, no papel, será construído às margens dos 3,5 km de extensão da Nações Norte para atender a população local oferecendo opções de lazer. Mas para a conclusão do plano, o município terá que arcar com mais investimentos numa área de 11 alqueires, o que equivale a 15 vezes o Parque Vitória Régia.

Parte destes investimentos já saiu do papel e, enquanto isso, o piscinão começa a ser preparado. O prefeito Rodrigo Agostinho explica que o local funcionará como uma enorme barreira de contenção natural, permitindo que a região seja "protegida" contra possíveis enchentes em épocas de chuvas fortes. A previsão é de que o complexo esteja pronto no ano que vem.

"As pessoas acham que aquele lago terá só a importância paisagística. É claro que ele vai compor toda uma paisagem do parque, mas o mais importante é que servirá como piscinão para conter as águas da chuva de toda aquela região, que não vão mais parar na Nações Unidas e nem na Nuno de Assis", revelou ontem ao JC o chefe do Executivo, que lembrou não ser este o projeto inicial que o município queria. "Acontece que a obra é fundamental, e depois teremos condições de fazer adequações no paisagismo para a instalação do parque".

De acordo com o prefeito, a demora para o início do preenchimento do lago ocorreu devido às demandas da obra. Segundo Rodrigo, a prefeitura teve que construir as comportas após a entrega da obra pelo governo do Estado.

Desde a última semana, as secretarias municipais de Obras e Meio Ambiente avaliam o processo de preenchimento do que em breve se transformará no Lago do Castelo.

"Estamos realizando um primeiro teste de enchimento com as águas do próprio córrego (Castelo) para analisar algumas questões e o próprio comportamento do lago. Por isso, e por estarmos num período de seca, fica complicado ter uma previsão de entrega", destacou o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto.


Capacidade


Ainda em processo de avaliação, o Lago do Castelo não deve passar de 60 centímetros de profundidade em dias normais. "Isso corresponde a uma profundidade menor do que a do lago no Vitória Régia", exemplifica o secretário de Obras.

A estimativa é que no período de chuvas esse nível suba consideravelmente e proporcionalmente ao acumulado, sendo a água liberada gradativamente através da tubulação construída.

Conforme informou Rodrigo Said, titular da Secretaria de Planejamento (Seplan), a dimensão total da área que envolve o lago é de 51.265 metros quadrados, sendo a capacidade máxima de água recebida de 307 mil litros, o que corresponde a uma profundidade de até 6 metros.

"Esse acumulado é o máximo atingido. Vale lembrar que essa é a capacidade em que foi feito o planejamento. Em dias normais o lago deve manter as medidas bem menores", diz.


Segurança


Para o prefeito municipal, os recentes incidentes na lagoa da Quinta da Bela Olinda não serão motivo de preocupação no primeiro piscinão bauruense. "Essa não será uma lagoa tão funda como é a da Quinta Bela Olinda, e a tendência é que tenhamos ali menos de um metro de lâmina de água. A princípio não será um espaço para o nado, e por isso não teremos fiscalização com salva-vidas. O que vamos fazer é colocar placas de aviso e teremos toda uma sinalização, uma vez que será proibido o nado", comenta Rodrigo.


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Moradores estranham acúmulo de água


Desde sua inauguração, a avenida Nações Norte tem propiciado aos moradores da região uma nova rotina. No lugar da antiga favela hoje está o espaço onde deve ser construído o Parque do Castelo.

Há 32 anos morando defronte ao espaço que abrigará o piscinão, Sirlei de Brito conta que até mesmo o nome da rua em que mora gera confusão. "Aqui antes era Terezinha de Jesus, mas agora não sei mais se já virou um braço da Nações Norte", conta a moradora de 32 anos, todos vividos na mesma casa.

Sirlei conta que nas duas últimas semanas notou algo diferente na vista do espaço que abrigará o lago. "Faz umas duas semanas que parece que mais água está caindo ali. Na verdade eu não sei de onde vem e nem para quê serve essa água".

Sem entender o motivo do acúmulo maior de água no local, a moradora lembra da promessa feita pelo governo. "O que eu sei é que quando o Estado entregou a avenida pronta, falaram que a prefeitura iria construir uma lagoa nesse lugar. Mas até agora só ficou na promessa".

A prefeitura reitera que não pode passar uma previsão definitiva devido à dependência em relação às chuvas. Porém, a expectativa é de que a lagoa esteja em funcionamento juntamente com todo o complexo apenas no ano que vem.


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