Santiago - O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), acatou pedido da líder estudantil chilena Camila Vallejo e autorizou, ontem, a formação de comitiva de deputados para visitar o Chile.
Vallejo pediu a visita para que os parlamentares "conheçam" e tentem mediar o conflito entre os estudantes chilenos, que exigem reforma do sistema educacional, e o governo do centro-direitista Sebastián Piñera.
Na onda de protestos, um garoto de 16 anos foi morto com um disparo da polícia, na semana passada. Em seguida, Piñera chamou os jovens ao "diálogo".
"O presidente ouviu nossas demandas, acolheu o movimento, solidarizou-se", disse Vallejo. Segundo a assessoria de Maia, as deputadas Manuela D?Ávila (PC do B-RS) e Luciana Santos (PC do B-PE) coordenarão a comitiva. A Presidência da Câmara disse que ainda não há data definida para a visita.
Depois de participar da Marcha dos Estudantes promovida pela União Nacional dos Estudantes (UNE) anteontem em Brasília, Vallejo declarou sentir o peso da responsabilidade de ser líder aos 23.
"Acredito que eu seja a síntese das demandas da sociedade chilena. É um grande desafio. Sinto que é uma experiência enriquecedora na minha vida", afirmou.
A comissão de educação do Senado chileno aprovou ontem projeto que proíbe a transferência de recursos do Estado para instituições de ensino com fins de lucro, conforme demanda estudantil. Piñera criticou o projeto - elaborado por parlamentares da Concertación, a opositora coalizão de centro-esquerda - dizendo que ele colocará em risco a educação de mais de 1 milhão de estudantes.