Regional

Choro salva bebê encontrado em terreno baldio em Jaú

Rita de Cássia Cornélio e Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Jaú - Um chorinho semelhante a um miado de gato, que vinha de um terreno baldio, foi o som que ajudou a encontrar um recém-nascido para ser socorrido. O bebê foi deixado enrolado em um lençol sujo de sangue no terreno baldio na rua Waldemar Galante, próximo ao numeral 67, no Jardim Olímpia, em Jaú (47 quilômetros de Bauru), é mais um caso na lista de crianças abandonadas logo após o nascimento. A menina passa bem, pesou cerca de quatro quilos e está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Jaú. A mãe, identificada no início da tarde, foi presa em flagrante.

Lucimary Leal Ferreira, uma calçadista, foi a primeira a encontrar a pequena Vitória, como ela batizou. Emocionada, a mulher conta que todos os dias, por volta das 6h, passeia com seu cão. "Eram 6h20 mais ou menos, estava muito frio e eu desci a rua com meu cachorro. No terreno ouvi um chorinho e resolvi ver o que acontecia. O pezinho dela estava de fora do lençol", conta Lucimary.

A mulher ficou desesperada e chamou uma moradora vizinha do terreno. "Logo vi que era uma menina e que estava com muito frio. Enrolamos ela em um cobertor e ligamos para a polícia, mas antes da viatura chegar, passou o Wesley que se prontificou em levar o bebê para o Pronto-Socorro Municipal," declara a calçadista.

O modelista de calçados Wesley Ramos Paleólogo passava pelo local quando viu as mulheres com o recém-nascido no colo. "Elas disseram que tinham acabado de achar a menina. Eu coloquei em meu veículo e corri para o PSM. Em sete minutos, a criança foi entregue para a enfermeira," diz.

Ele lembra que chegou correndo e pediu socorro. "A enfermeira pegou a criança e correu, desesperada. Um minuto a mais poderia comprometer a vida dela e nosso intuito era salvá-la. O pediatra atendeu e a Vitória foi para a UTI. Depois eu fui vê-la. Ela não corre risco de morte. Isso me deixou aliviado, tenho um filho de três meses," conta Wesley Ramos.

Mãe de uma única filha, atualmente com 15 anos, Lucimary Ferreira está disposta a adotar o recém-nascido. "Na hora eu liguei para o meu marido, que está trabalhando, e ele ficou super feliz. Se eu tiver oportunidade, quero ficar com ela. Ela apareceu na minha vida e deve ter um porquê para isso."

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Criança chegou com hipotermia


O médico plantonista da UTI da Santa Casa de Jaú, Luis Gonzaga Gerlin, declarou que o recém-nascido chegou em estado de hipotermia, ou seja, com temperatura abaixo do normal. "O primeiro procedimento foi aquecer a criança. A menina com cerca de quatro quilos ainda está na UTI por precaução, mas em ótimo estado de saúde."

Para o médico, a criança poderia ter morrido, caso não tivesse sido enrolada em um cobertor. "Na madrugada de hoje (ontem) os termômetros apontavam em Jaú uma temperatura de aproximadamente 10 graus." Gerlin pede para que as gestantes, no estado de parto, procurem o hospital para dar à luz, evitando locais que não ofereçam as condições necessárias tanto para a mãe como para o bebê.

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Mãe é identificada e será processada


Logo após a localização do recém-nascido, a polícia iniciou as investigações para tentar identificar a mãe. O ponto de partida foi o pressuposto de que a mulher residiria nas imediações. Após conversas com vizinhos, o delegado Luverci da Costa Mello recebeu informações sobre algumas gestantes do bairro, mas nenhuma delas havia dado à luz ainda.

Por volta das 12h40, a Polícia Militar recebeu denúncia de que haveria uma gestante trabalhando como balconista de uma padaria no jardim Planalto, bairro próximo ao local onde o recém-nascido foi encontrado. A princípio, a mulher, identificada como Lilian Bernardes Silva, 24 anos, negou ser a mãe do bebê.

Contudo, após conversa com o delegado, a jovem confessou que havia dado à luz menina sozinha, em sua residência, por volta das 3h da madrugada de ontem. Segundo ela, ninguém sabia da sua gestação. Desesperada por não ter como cuidar dela, pelo fato de já ter dois filhos e estar separada do marido, a mulher disse que decidiu abandoná-la no terreno baldio.

De acordo com Mello, após passar por atendimento médico no Pronto-Socorro do município, a mulher foi conduzida à delegacia, onde foi presa e autuada em flagrante por abandono de incapaz. Depois de pagar fiança no valor de R$ 500,00, ela foi liberada para responder pelo crime em liberdade.

A mulher também foi apresentada à Vara da Infância e Juventude de Jaú para que a Justiça decida qual será o futuro da criança. "Ela demonstrou que não tem condições e que não quer ficar com a criança", revela o delegado, que ainda pretende ouvir mais duas testemunhas antes de concluir o inquérito.

Abandono de incapaz em uma situação de risco, como foi o caso ocorrido ontem, pode ser transformado em tentativa de homicídio. Esta é a opinião do delegado Luverci da Costa Mello.

A tese do delegado é de que a criança, um recém-nascido, foi abandonada sem as mínimas condições de sobrevivência. "Enrolada em um lençol, submetido a uma temperatura baixa em um local ermo, com poucas possibilidades de ser encontrado", disse o

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