Uma hora depois de Eduardo de Jesus Ribeiro, 37 anos, registrar no Plantão Policial que foi atropelado no último domingo, o atropelamento da dona de casa Aparecida Conceição Caetano da Silva, de 70 anos, também era anotado pela polícia, por volta das 14h30 desta quarta-feira. Aparecida chegou a ser internada no Hospital de Base (HB), mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
Viúva e mãe de três filhos, ela foi velada na mesma esquina onde sofreu o acidente, cruzamento das ruas Martin Afonso e Andradas, na Vila Falcão, e sepultada na tarde de ontem. Ela deixa os filhos Lúcia Helena, José Augusto e Paulo Roberto, cinco netos e um bisneto.
Já a outra vítima, o pintor autônomo Eduardo de Jesus Ribeiro, deve ficar sem renda até que tenha condições de voltar ao trabalho, já que afirmou sentir muitas dores depois da cirurgia bucomaxilofacial a que foi submetido.
Aparecida foi atropelada a poucos metros de sua casa, na rua Altino Arantes, quando se dirigia ao supermercado para comprar frutas, verduras e legumes. Familiares ouvidos pela reportagem contaram que ela era uma mulher ativa, independente e que estava sempre prestando ajuda a quem precisasse.
Independente
A independência de Aparecida era um de seus traços mais fortes, segundo o filho Paulo Roberto Barboza da Silva, 48 anos. "Ela estava sempre agitada, fazendo o bem para os outros. Não ficava em casa, se as pessoas tinham qualquer problema, ela queria resolver", contou o filho.
"Ela era muito católica e estava sempre ajudando as pessoas. Andava sempre sozinha porque era muito ágil e rápida", disse Roseli Fogaça, de 48 anos, ex-nora de Aparecida.
Dentro de casa, a idosa não gostava de pedir favores e que as pessoas tomassem conta de suas coisas. "Ela gostava de fazer as coisas e sair sozinha, sem depender de ninguém", contou Solange Aparecida Cornélio da Silva, 46 anos, sua nora.
Aparecida saiu de casa por volta das 15h desta quarta-feira, numa região em que estava acostuma a andar depois de residir por quase 50 anos no mesmo endereço. Avisou que iria ao supermercado. A pessoa que a atropelou chamou o socorro e esperou até que alguém da família chegasse ao local. A idosa teve o baço retirado e uma hemorragia no cérebro, de acordo com familiares.
A amiga Eva Gonçalves, que há 60 anos reside no bairro, diz que se surpreendeu com o acidente, justamente porque Aparecida era muito ágil. "Eu sou lenta, ando devagar, mas ela não, era muito ligeira. Não dá para entender o que aconteceu nessa rua".
Mas protestou pela forma como os motoristas trafegam pelo local. Na região onde aconteceu o acidente não há semáforo ou qualquer tipo de redutor de velocidade. A reportagem do JC esteve no local e registrou a alta velocidade com que os veículos passam pelo cruzamento. "As pessoas vão morrendo e ninguém faz nada", lamentou a amiga Eva.
Outro caso
O acidente com Eduardo de Jesus Ribeiro ocorreu por volta das 13h42 do último domingo, quando ele transitava de bicicleta pela avenida Comendador José da Silva Martha, mas em função de sua recuperação pós-cirurgia, apenas na quarta-feira pôde registrar a ocorrência.
O pintor não viu quem o atingiu, já que o condutor do veículo não parou para socorrê-lo. Precisou do atendimento de médicos de quatro especialidades em função dos ferimentos no rosto e na cabeça, e agora espera as dores no corpo diminuírem para poder voltar a trabalhar como pintor.