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?Robô poeta? inova na área humanóide

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Ele tem olhos azuis, 1,80 metro de altura e é o protagonista da famosa peça Hamlet, do poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616). As mulheres que começaram a ler essa reportagem podem ter entrado em êxtase pensando de um galã do porte de Brad Pitt ou Gerard Butler. Mas não. O personagem principal da famosa peça é encenado por um andróide de tecnologia de ponta na área humanóide desenvolvido exatamente para representar o príncipe dinamarquês idealizado pelo poeta.

O "robô poeta" batizado de "I, Hamlet" - referência à obra "Eu, Robô" - foi desenvolvido por uma equipe de vários pesquisadores. Entre os coordenadores, está Marcelo Franchin, professor da Faculdade de Engenharia de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Júlio de Mesquita Filho.

"Todos os envolvidos tinham uma vertente artística. Eu, por exemplo, adoro música e teatro. Então, resolvemos juntar essas as áreas", explica.

Composto com aproximadamente 300 peças e 27 motores, o andróide pesa pouco menos de 50 quilos e é capaz de declamar oito textos da peça. Entretanto, muito além do que só falar, o robô realmente atua. Para isso, foram desenvolvidos os movimentos faciais e dos membros superiores.

"O andróide é capaz de ter expressões no rosto, inclusive mexendo a boca e as sobrancelhas. Ele também movimenta os braços quando cita as frases. É realmente um trabalho bem detalhado", relata o professor Marcelo Franchin.

E o profissionalismo para atuar foi pensado desde o início. Além de Franchin e dos outros pesquisadores na parte técnica, fez parte do projeto Sandra Luna, especialista em dramaturgia e professora de literatura anglo-saxã da Universidade Federal da Paraíba.

"Ela cuidou de toda a parte teatral e das interpretações de Shakespeare. Toda a fala e os gestos foram pensados por ela", explica Franchin.

Até mesmo uma armadura preta, sugerida pela especialista em dramaturgia, foi construída para ser "vestida" pelo andróide. Na peça original, Hamlet também veste preto.


Humanóide de ponta


O projeto começou há cerca de um ano e meio após um programa de financiamento de obras de arte cibernética. Ele foi desenvolvido, com a orientação dos professores por uma equipe de aproximadamente 25 pessoas, sendo grande parte alunos. Até mesmo um artista plástico participou "esculpindo" os traços da "pele" metálica que reveste o andróide.

Segundo os coordenadores, a máquina é considerada tecnologia "de ponta" e, como o Brasil é um país sem tradição em produzir robôs humanóides, o projeto é pioneiro e um dos melhores da área. Até amanhã, o "I, Hamlet" ficará exposto no Itaú Cultural, em São Paulo, juntamente com outras nove obras do gênero.

Sobre um palco, ficam o andróide e seis pequenas torres, com elementos pertencentes à peça, como o famoso crânio que é levantado pelo poeta. Assim que o público chega perto de uma dessas torres, um sensor é ativado e o robô começa a declamar.

Apesar de já estar em exposição, a ideia é aperfeiçoar a máquina. "Queremos mais alguns meses para ajustar outros pontos. Nossa intenção é colocar realmente ele sobre um palco de verdade atuando", finaliza o professor, otimista em relação aos avanços da robótica.

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Liberdade robótica: ?Ser ou não ser??, completa o robô, ?que seja?


Apesar de ter sido inspirado e idealizado para representar a peça de Hamlet - o poeta dinamarquês angustiado pelo desejo de vingar a morte do pai -, algumas liberdades poéticas - ou robóticas - foram inseridas na hora de criar o texto a ser declamado pelo robô.

Os coordenadores explicam que o "I, Hamlet", ao contrário do poeta que deseja morrer, opta pela vida. Em um dos textos isso fica bem claro. "Ser ou não ser? Que seja. Estou finalmente apto. Se tiver que ser agora, não será depois. O estar pronto é tudo. Assumo este ser homem. Que venha a vida".

O professor da Faculdade de Engenharia de Bauru da Unesp Marcelo Franchin, explica que é uma versão nova de Hamlet. Ou melhor, um "Hamlet andróide".

A mesma frase ainda expõe a polêmica dos humanóides. "Em breve, teremos robôs ajudando dentro de nossas casas em afazeres domésticos. Quando ele fala ?assumo este ser homem?, pode-se ser entendido esse ponto", completa o pesquisador, vislumbrando um futuro próximo parecido à produções cinematográficas.

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Equipe


Além do professor na Unesp Marcelo Franchin, o projeto do "I, Hamlet" foi coordenado pelos pesquisadores Alexandre Simões (que emprestou a voz ao andróide e estudou em Bauru, quando foi orientado por Franchin), professor do curso de Engenharia e Controle de Automação da Unesp de Sorocaba; Esther Luna Colombini, professora da Faculdade de Engenheria Industrial (FEI); Jackson Matsuura, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA); e Sandra Luna, especialista em dramaturgia e professora de literatura anglo-saxã da Universidade Federal da Paraíba.

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